Os últimos dias/semanas/meses não têm sido fáceis. Ao mesmo tempo não encontro a razão e o porque de sentir que não estão a ser fáceis. Não encontro o que está na origem, na raiz do problema... Pôs-se a questão "Será que há, realmente, problema?". E eu vou rever e vou rezar e vou tentar "descomplicar" e "desstressar" e não saio do mesmo sítio e chego às mesmas limitações, às mesmas paralisias e não confio e sinto isto tudo uma bola de neve que se arrasta.
E depois, em conversa com alguém que tentava incutir-me "calma" e "cabecinha fresca", digo que "stress" é o meu nome do meio. E levo uma grande chapada de luva branca que me deixa a sorrir e me deixa a pensar "Pensava que o teu nome do meio era FÉ!"
E é como esse meu amigo me dizia também: tanto Cristinho para aqui e para ali e, afinal, stresso com esta facilidade parva e, no meio de tudo, também é preciso rezar estes "amocks". E não é que não reze, mas é aqui que me vou apercebendo, realmente, das minhas limitações... Se FÉ é o meu nome do meio, como é possível "esquecer-me" d'Ele tantas vezes? Como é possível entristece-Lo tantas vezes? Como é possível "esquecer-me" de Lhe confiar a minha vida, o meu trabalho, as minhas angústias? Como é fácil, na minha "dureza", "esquecer" que é a FÉ que me tem levado a bom porto, que é na FÉ que encontro suporte, que é pela FÉ que a minha vida é sustentada...
Volto à questão inicial: Quando é que tudo começa? Onde é que se inicia o problema? Onde começam as dificuldades? Na falta de aceitação? Na falta de confiança? Na falta de mim em mim? Na falta de FÉ?
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Jornadas da Litúrgia, Arte e Arquitectura
“Para todos vós, agora, artistas,
que sois prisioneiros da beleza e que trabalhais para ela: poetas e letrados,
pintores, escultores, arquitectos, músicos, homens do teatro, cineastas . . . A
todos vós, a Igreja do Concílio afirma pela nossa voz: se sois os amigos da
autêntica arte, sois nossos amigos.
Desde há muito que a Igreja se aliou convosco. Vós tendes
edificado e decorado os seus templos, celebrado os seus dogmas, enriquecido a sua
Liturgia. Tendes ajudado a Igreja a traduzir a sua divina mensagem na linguagem
das formas e das figuras, a tornar perceptível o mundo invisível.
Hoje como ontem, a Igreja tem necessidade de vós e volta-se para
vós. E diz-vos pela nossa voz: não permitais que se rompa uma aliança entre
todas fecunda. Não vos recuseis a colocar o vosso talento ao serviço da verdade
divina. Não fecheis o vosso espírito ao sopro do Espírito Santo.
O mundo em que vivemos tem necessidade de beleza para não cair no
desespero. A beleza, como a verdade, é a que traz alegria ao coração dos
homens, é este fruto precioso que resiste ao passar do tempo, que une as
gerações e as faz comungar na admiração. E isto por vossas mãos.
Que estas mãos sejam puras e desinteressadas. Lembrai-vos de que
sois os guardiões da beleza no mundo: que isso baste para vos afastar dos
gostos efémeros e sem valor autêntico, para vos libertar da procura de
expressões estranhas ou indecorosas.
Sede sempre e em toda a parte dignos do vosso ideal, e sereis
dignos da Igreja, que, pela nossa voz, vos dirige neste dia a sua mensagem de
amizade, de salvação, de graça e de bênção.”
(mensagem do Papa Paulo VI, aos artistas, na
conclusão do Concílio Vaticano II)
Neste ano, em que se assinalam os cinquenta anos do Concílio Vaticano
II, convocado pelo Papa João XXIII, a Universidade Católica Portuguesa, de
Lisboa, tomou a iniciativa de realizar, a 15 e 16 de Novembro, as Jornadas de Litúrgia, Arte e Arquitectura,
que reuniu no mesmo auditório padres, cardeais, arquitectos, estudantes e outros,
na tentativa de se fazer diálogo entre a litúrgia, a arquitectura e a arte em
ambiente de Igreja.
No Painel 1 destas Jornadas, propunha-se que, à luz do Concílio
Vaticano II, se analisásse a litútgia no contexto conciliar, o espaço litúrgico
enquanto identidade da Igreja e a litúrgia no plano pastoral, tendo como
exemplo a comunidade da Serra do Pilar. Para debater estes temas estiveram
presentes Frei Bento Domingues (op. Teólogo), o Padre João Norton de Matos
(doutorando Centro Sèvres) e o Padre Arlindo Magalhães (Teólogo, UCP Porto). O
Painel 2, confrontou a litúrgia com a arte, tendo como conferencistas o Curador
Paulo Pires do Vale (UCP Lisboa), o Padre Joaquim Félix (Liturgista, UCP Braga)
e, ainda, o Cardeal italiano Gianfranco Ravasi (Pontifício Conselho para a
Cultura) que nos veio falar da retoma do diálogo entre a Igreja e a Arte. O
Painel 3, apresentou-nos a arte no contexto arquitectónico pelos olhos do
Arquitecto italiano Glauco Gresleri (Universidade de Pescara), do Arquitecto
João Alves da Cunha (Doutorando FA-UTL) e do Arquitecto Bernardo Miranda
(CIES-ISCTE, doutorando FA-UP). A fechar este ciclo de conferências, no Painel
4, debateu-se o futuro destes três grandes temas Litúrgia, Arte e Arquitectura,
com conclusões do Padre Manuel Pereira da Silva (Liturgista. UCP Lisboa), do
Historiador de Arte Marco Daniel Duarte (Museu do Santuário de Fátima) e do
Arquitecto Diogo Pimentel (SNIP). Para terminar, uma nota breve do Cardeal
Patriarca D. José Policarpo que nos falou acerca da actualidade do Concílio
Vaticano II.
Ao longo dos dois dias foram debatidos pontos de grande relevância e,
decerto, muito ficou por dizer. Penso que é muito importante que cada um
“perca” um pouquinho do seu tempo a confrontar estes assuntos e que, realmente,
cresça nesse confronto. Era esta a minha expectativa para estas Jornadas,
“perder” tempo a debater três pontos da minha vida: a litúrgia, enquanto cristã
e membro activo na minha comunidade, e a arte e a arquitectura, enquanto
estudante destas áreas. Portanto, resumo estas Jornadas como um grande três em
um.
Enquanto
vivência de Igreja, há a reter o facto de que a Igreja celebra e vive a litúrgia
e que é Cristo o centro da litúrgia e, em torno deste facto, gera-se o rosto da
Igreja que se reconhece como povo de Deus, como nos diz o documento Lumen Gentium.
Nesta questão do povo de Deus, entra a noção de Comunhão, sustento da
Eucaristia, vista como espaço litúrgico. Então a própria litúrgia é espaço.
Espaço de oração, espaço de relação. É, portanto, neste espaço de relação, que
a assembleia se reúne. E, se no contexto de arte, vimos como é importante que o
espectador participe na obra, se adentre nela e se sinta nela, então é isso que
também é importante quando se fala de litúrgia. É importante que a assembleia
participe, se adentre e se sinta nesse espaço litúrgico de encontro e de
oração. Isso é-nos ilustrado na primeira imagem. É uma imagem muito corrente
que descobri ser uma obra importante. Os espectadores foram remetidos para uma
sala vazia com paredes brancas e foi-lhes pedido que escrevessem na parede, à
sua altura, o seu nome. A este tipo de obra, chamamos Happening. É um tipo de
obra que incorpora espontaniedade e improvisação, que nunca se repete da mesma
maneira. É assim, que é importante que se viva a litúrgia de uma forma
espontânea, que vivamos nela e que ela não se repita em nós da mesma maneira,
mas sempre de forma mais apaixonada porque a litúrgia é o visível do invisível,
é a Igreja e a Igreja é a preseça da acção de Cristo no mundo de hoje. E, tal
como é importante que se olhe a arte com contemporaneidade, ou seja, dar vida à
própria arte e ter o desejo que a arte faça parte da vida, também é importante
que se dê desta contemporaneidade à litúrgia e à vivência em Igreja.
No concreto da arquitectura, importa que o
espaço interior de uma igreja seja espaço de litúrgia nova, não adianta que o
espaço exterior seja moderno se o interior continuar igual. E isto, é assim
também pessoalmente, que adianta que o nosso exterior seja “moderno”, que
adianta que mostremos algo que depois o nosso interior não é? É como nos mostra
o cartoon. Tentamos perceber o que uma obra representa, mas nunca nos
questionamos acerca do que é que nós próprios representamos.
Quando é necessário repensar um lugar para a litúrgia, não significa
que esse repensar, esse requalificar o espaço lhe mude o caracter. Há uma
dimensão construtiva na Igreja, que não são a pedra nem o tijolo, mas sim as
pessoas! Quando um Homem põe um chapéu, o chapéu é a cobertura e o Homem é a
própria casa. Quando há um circulo de Homens debaixo de um chapéu, cada Homem
torna-se pilar. Além de Homens são cidade, são comunidade. É isso que é ser a
Igreja. Para haver esta dimensão construtiva na Igreja, feita de pessoas, é
necessário fazer aquilo que um dos arquitectos registou como “ressourcement”,
uma refontalização, um regresso às fontes, à fonte que é Cristo que nunca parou
de jorrar. Cada um, que vive em Igreja, não faz arquitectura para o outro.
Enquanto Igreja, fazemos arquitectura para o nós, porque lembramos Cristo, que
veio para servir e não para ser servido. É assim que é feita a experiência do
povo de Deus.
Tesouro
“Palha que o vento levou”, dizia
o Salmo da manhã, porque necessito que o vento leve o que já não faz falta em
mim. Leve o meu egoísmo, o meu orgulho, a minha falta de confiança, a
insegurança, a cobardia. Para ficar sossegada e tranquila, capaz de confiar,
capaz de que o “tudo” seja a medida da fé. Faz-me, Senhor, paciente e humilde
e, nas vezes em que me sinto amada seja também capaz de me amar e aceitar como
Tu me amas e aceitas, mesmo no meu pouco
eu. Faz-me observadora dos lugares e dos sinais do Teu amor, da Tua verdade, da Tua beleza, da Tua vida,
porque só em Ti cada noite se renova em bela manhã e ao sol sucede a lua.
Porque só em Ti, o vazio de uma parede branca, a lembrar o sem resposta, ganha
sentido, porque só o Teu regaço é colo de Pai e só o Teu olhar vê o meu
invisível.
Ensina-me a procurar-Te bem, nos
lugares onde Tu me falas, para que nesse Encontro eu possa encontrar-me, para
que na Tua luz eu consiga ver luz e, nessa luz, ilumine cada novo passo.
Levanta-me como ao coxo, da minha
miséria e do meu mendigar. Esvazia-me e enche-me, sê o meu tesouro.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Salmo 8
Ó SENHOR, nosso Deus,
como é admirável o teu nome em toda a terra!
Adorarei a tua majestade, mais alta que os céus.
Da boca das crianças e dos pequeninos
fizeste uma fortaleza contra os teus inimigos,
para fazer calar os adversários rebeldes.
Quando contemplo os céus, obra das tuas mãos,
a Lua e as estrelas que Tu criaste:
que é o homem para te lembrares dele,
o filho do homem para com ele te preocupares?
Quase fizeste dele um ser divino;
de glória e de honra o coroaste.
Deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos,
tudo submeteste a seus pés:
rebanhos e gado, sem excepção,
e até mesmo os animais bravios;
as aves do céu e os peixes do mar,
tudo o que percorre os caminhos do oceano.
Ó SENHOR, nosso Deus,
como é admirável o teu nome em toda a terra!
como é admirável o teu nome em toda a terra!
Adorarei a tua majestade, mais alta que os céus.
Da boca das crianças e dos pequeninos
fizeste uma fortaleza contra os teus inimigos,
para fazer calar os adversários rebeldes.
Quando contemplo os céus, obra das tuas mãos,
a Lua e as estrelas que Tu criaste:
que é o homem para te lembrares dele,
o filho do homem para com ele te preocupares?
Quase fizeste dele um ser divino;
de glória e de honra o coroaste.
Deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos,
tudo submeteste a seus pés:
rebanhos e gado, sem excepção,
e até mesmo os animais bravios;
as aves do céu e os peixes do mar,
tudo o que percorre os caminhos do oceano.
Ó SENHOR, nosso Deus,
como é admirável o teu nome em toda a terra!
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Peregrinação "Ad Intra"
"Peregrinar não é simplesmente caminhar ou passear, apreciando a paisagem ao sabor das circunstâncias e correntes. Peregrinar implica, antes de mais, partir, sair de si e das suas circunstâncias, de algum modo desgarrar-se e separar-se para poder andar. Mas não basta: o peregrino tem um objectivo, uma meta a alcançar. Sabe de antemão aonde quer chegar e, por isso mesmo, apesar de aberto ao imprevisto e à aventura, procura conhecer, pesando as circunstâncias e as forças, qual é para si o itinerário, o caminho mais adequado. O peregrino espera, portanto, chegar à meta, ao termo e é essa esperança de lá chegar que o faz andar e, apesar do cansaço, não o deixa desfalecer."
Pe. António Vaz Pinto, SJ
Esta peregrinação Passo a Passo teve este sabor ao partir de mim própria, com uma meta de ir mais ao fundo, ao fundo das questões em mim mesma e com um itinerário de oração sempre presente, interior e exteriormente na natureza, na paisagem, no outro que caminha ao meu lado.
Este caminho físico que já se torna habitual peregrinarmos faz lembrar, realmente, o caminhar por caminhos desertos com o olhar no alto, no Pai e caminhar de braços abertos como que a absorver tudo, a deixar-nos encher e apaixonar por cada passo que deixamos os nossos pés de barro pisar com amor.
Interiormente, este caminhar levou quase à oração do despojamento do que sou e de quem sou e "aqui me tens, Senhor...", "enquanto quiseres, como quiseres...". E isto, leva, essencialmente, ao primeiro passo: "O que me trouxe aqui?". É sempre cedo para responder a esta questão, mas com certeza foi porque Deus me quis, que eu ali estava a caminhar, a tentar levar este ritmo e esta ordenação de espaços e de momentos para a minha rotina e vida quotidiana.
"O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça", nós Homens ao caminharmos juntos apercebemo-nos de tantos que caminham a nosso lado, apercebemo-nos da presença do outro, na sua sombra, na mão estendida para nos apoiar, para não nos deixar cair. No silêncio de alguns passos, quando entramos profundamente em nós vimos quais são os nossos "tudo menos isso" e às vezes é preciso distanciarmo-nos dos nossos "tudos" para perceber qual é afinal o lugar central das nossas vidas ou como queremos que esse lugar seja ocupado.
Fazer este caminho pela terceira vez levou-me a perceber dois grandes momentos. Em primeiro, as minhas limitações, os meus "tudo menos isso" que me impedem de ser santa, de ser o pecador em busca do melhor de si mesmo. E um segundo momento, o momento de dar graças pela vida e pela existência, pelas dificuldades tal como elas são, com as subidas, os obstáculos, os desiquilíbrios e perceber que existe em mim este "centro desviado" que é Cristo e a Sua vontade para a minha vida.
Entrar no Santuário de mãos dadas com os santos concretos da minha vida é agarrar Aquele que me dá vida e me renova todos os dias, é ter presente que mesmo nas minhas falhas, mesmo na minha vergonha, naquilo que há de mau em mim, há também uma nesga de esperança que continua a fazer caminho.
Este caminho que se trilha e esta descoberta que se faz de Deus no outro e Deus em mim que levo ao irmão e que o ajuda a caminhar ou o "peso" que sou na vida do outro é algo que tem de ter consequência prática na minha vida. É preciso haver este discernimento dos tempos e dos espaços e perceber que tudo brota duma relação com Deus que se alimenta na vida pessoal. A esta relação chamamos fé. E nada melhor que iniciar este ano da fé com um peregrinar com esta direcção e sentido, de nos unirmos mais ao nosso Pai e Criador. E é nesta liberdade humana de se fazer caminho ou não que vamos dando sentido ao sem sentido das nossas vidas.
Que neste ano da fé saibamos isto mesmo, dar sentido ao sem sentido, como o próprio Cristo deu sentido à cruz e à morte. É pela fé que nos salvamos, tenhamos a coragem de iniciar este processo de salvação e de santidade nas nossas vidas e saibamos acolher nos nossos corações Aquele que reinvidica ser o Filho do Homem.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Chamo-Te
Chamo-Te porque tudo está
ainda no princípio
E suportar é o tempo mais
comprido.
Peço-Te que venhas e me dês
a liberdade,
Que um só de Teus olhares me
purifique e acabe.
Há muitas coisas que não
quero ver.
Peço-Te que sejas o
presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o Teu reino antes do
tempo venha
E se derrame sobre a Terra
Em Primavera feroz
precipitado.
Sophia de Mello Breyner Andresen
5 Pães e 2 Peixes
Muito haveria a dizer sobre 5 Pães e 2 Peixes que fizeram as delícias de uma semana.
Muito bons foram, sem dúvida, os momentos que vivemos no Centro de Dia com os idosos, na creche com o pequeninos, no porta-a-porta, nos encontros com os jovens e com os adultos, nos tempos de oração em comunidade. No entanto, sinto que nada seríamos sem o grupo. Sem as primeiras limpezas que nos "mostraram" um resultado do nosso serviço de uma forma instantânea. Nada seríamos sem os medos da primeira noite por causa dos bichinhos, dos insectos, das osgas. Nada seríamos sem as nossas brincadeiras com o Staff Nabais, na ajuda na cozinha. Nada seríamos sem criarmos músicas para toda e qualquer coisa nova. Nada seríamos sem aqueles que "cá de fora" nos ligavam, nos visitavam, rezavam por nós e connosco. Nada seríamos sem o "nosso" alpendre, sem os nossos tempos de oração orientados. Nada seríamos sem o Amor de Deus. Nada seríamos se no final dos 5 Pães e 2 Peixes não recolhêssemos os pedaços.
Nada seremos quando deixar-mos de dizer "sim", quando nos fecharmos ao Mistério de Deus, quando esquecermos os pedaços da retribuição das cem vezes mais.
Nada seremos enquanto não fizermos como o Cireneu e partilharmos o caminho da cruz com Cristo que se entregou totalmente.
Nada seremos enquanto não dissermos como Tomé: "Meu Senhor e meu Deus!"
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Passo a Passo'12
“O peregrino é aquele que, num determinado momento da vida, tempo de procura,
de inquietação, de desejo e atracção, se põe a caminho em busca de uma nova
verdade de si mesmo”
(D. José Policarpo)
Agora que já passaram uns dias
desde o Passo a Passo, é altura de pôr por escrito aquilo em que meditei,
aquilo que rezei, aquilo que me levou ao mais fundo de mim mesma.
Depois de partirmos, é importante
que cada um perceba qual é o seu ritmo. O ritmo da descrição e da humildade é
realmente o mais apropriado. Mais rápido ou mais lento importa que eu ame cada
passo do meu caminho seja aqui ou noutro sítio qualquer. No meu ritmo importa
que eu me mantenha eu e que cada passo seja tempo de procura, de inquietação,
de desejo e de atracção. Estes passos não são simples passeios, são imagens da
vida que caminha para Deus e por isso, para a plenitude da santidade.
Eu quero procurar este caminho de
santidade com Deus em cada dia. Quero que cada passo seja uma resposta ou pelo
menos algo que me leve a ter respostas. Respostas que sejam a verdade da minha
vida.
“Verdade! Verdade! Quem sou eu
para que me dês a tua verdade? Eu sou o que não sou. Pois a tua verdade é
aquela que faz, fala e realiza todas as coisas, não eu!”
(Sta. Catarina de Sena)
O que me trouxe aqui?
A paragem. O precisar de parar
para rebentar aquilo que têm sido as últimas semanas vividas em correria, sem
ritmo, de forma insípida.
Buscar a paz para o meu espírito.
“Qualquer outro dom que se possua
nesta vida é coisa vã como são vãs todas as coisas do mundo”
(Pier Giorgio Frassati)
“As raposas têm tocas e as aves
do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”...
“Segue-Me”
Que condições coloco a Deus
quando Ele me desafia a segui-lo?
Sinto que as vezes que penso em
desistir ou as vezes em que digo “é impossível”, “não sou capaz” são obstáculos
à Sua vontade na minha vida.
Quantas vezes deixo que não se
faça a Sua vontade por medo de encarar as coisas e, num sentido muito mais
peregrino, quantas vezes seixo que não se faça a Sua vontade por medo de
encarar as subidas, por medo das dores futuras causa dos abusos presentes?
Quando Deus nos chama à santidade
convida-nos a recordar a nossa história pessoal e a nossa história com Ele. De
volta ao silêncio lembro as vitórias, os erros transformados em lições, os
amigos à luz da fé que são agora os fieis companheiros de viagem, os que, pela
sua oração, estão aqui bem perto. Dou graças a Deus pelas maravilhas que Ele
realiza na minha vida. Dou graças por estes milagres e pelas suas manifestações
em mim.
“Aclamai o Senhor, terra inteira,
servi ao Senhor com alegria”
(Salmo 100 (99))
Peregrinar leva-me a sentir que a
luta é dura e que portanto é preciso que nos esforcemos por vencer a nossa
pequena entrada em Damasco, para que possamos caminhar em direcção à Meta e ao
Amor que é Cristo vivo nas nossas vidas.
Recebe-me, Senhor, a mim e aos
meus passos mal dados. Às minhas caminhadas, às minhas subidas à montanha e às
viagens ao mais fundo de mim. Recebe a minha miséria, a minha dor, a minha
tristeza, ainda, a minha alegria, a minha esperança, o meu júbilo. Recebe o meu
amor, as vezes em que só tento amar. Recebe o meu tempo e as minhas pressas e
correrias.
Recebe-me e acolhe-me para que me
faça e seja cada vez mais em Ti.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
"Todos os dias penso deitar-me às dez e deito-me à uma. Primeiro vejo os mails, depois o Facebook, depois as notícias, depois não sei quê, e quando dou por mim, já passaram duas horas!".
"É verdade! Às vezes chega a doer, aquele simples gesto de desligar o computador".
Certa vez, no café pós-almoço, estavam falar disto de andar sempre a arrastar a hora de dormir, a querer fazer mais qualquer coisa, e o formador atalhou a conversa e disparou: "o problema é o vazio afectivo". Aquilo deixou-me atordoado; nunca ouvira falar em tal coisa; mas, com o tempo, reconheci que tinha razão: fazemos braço de ferro com o sono porque precisamos de preencher o vazio afectivo que vai cá dentro. E tentamo-nos encher com isto e mais aquilo. Mas há um momento em que temos que dizer: basta!".
Outro entrou na conversa: "eu também tenho feito esse exercício de deitar mais cedo: até já pus um alarme no computador: às 23 horas o computador bloqueia. Só posso continuar se meter a password". E disse ainda, quando já se levantava para ir embora - "o pormenor decisivo é que a password é "Jesus é o Senhor". Assim sinto-me suficientemente confrontado: se estiver a fazer uma coisa realmente importante, continuo. Se não, ponto final, parágrafo: vou-me deitar!".
Quais são as passwords da nossa vida?
“Com a cara encostada ao vidro, vejo a minha respiração condensar-se. Há casas pequenas lá em baixo, e campos, e um bosque, e um rio, talvez. Algumas almofadas de nuvens na distância. O ruído dos motores é constante, mas a música que oiço esconde-o.
Posso imaginar, vista do chão, a paisagem que sobrevoo. Tenho histórias para cada uma daquelas pessoas que moram em cada uma daquelas casas. Há mil passeios para dar naqueles campos, naqueles bosques. Mas a verdade é que vou para mais longe, onde a paisagem será diferente.
Penso em viajar como a forma mais irónica de descobrir a que sítio chamar «casa». É preciso pôr mil, dois mil, dez mil quilómetros entre mim e esse sítio para perceber onde ele fica. É preciso falar todas as outras línguas para perceber que a língua que falo é aquela que diz as coisas que eu sou.
Por isso todo o caminho é de regresso. Porque esse é o único movimento possível — onde quer que se regresse.
Acende-se a luz do cinto de segurança. Há alguma agitação e alguma turbulência. Começamos a descer, passamos por dentro de uma nuvem. A paisagem aproxima-se lentamente.
Começa a viagem.”
Qual é o tipo de aterragem que praticamos na nossa vida?
Comecemos por aterrar no amor...
Coloquemos diante de nós o Deus Amor.
Todos entendemos a linguagem do amor, todos sabemos o que significa dizer “Amo-te com todo o coração”. O coração de Deus é um coração aberto, exposto, um coração que se derrama, é o coração do nosso Senhor. Diante de nós o Seu tesouro não se contém e despe-se, entrega-se, procura-nos, ama-nos sem medida.
É assim que Deus nos ama, totalmente, absolutamente, sem nenhuma reserva nem nenhum cálculo. É Deus, é assim o Seu amor e a Sua ternura. Hoje, vamos deixar-nos embalar, mimar pelo Senhor. Ele está ansioso por nos trazer nos braços, por nos atrair a Si, por nos pegar ao colo. Façamo-nos crianças, levantemos os nossos braços, o Amor inclina-se para nos pegar.
Imaginemos a rebentação das ondas nas rochas... "Um coração inquieto protege-se do mar com pedras grandes e pontiagudas; e o resultado são estas explosões de espuma e água que causam estrondo". "Um coração em paz não é assim. Um coração em paz é como uma praia. Sabe que o mar é muito maior em extensão, profundidade e comprimento; acolhe as ondas de braços abertos; aceita tudo o que trazem e tudo o que levam. Um coração saudável é aquele que se deixa moldar pela vida".
Evangelho
Jesus caminha sobre as águas (Mateus 14)
Convívios Lx (19 de Junho 2012)
Preparar este encontro deu-me a bagagem de rezá-lo várias vezes. De meditá-lo. De sublinhá-lo e de insistir nas cores. Deu-me a bagagem de rezar a minha vida à luz das várias perspectivas que vou tendo e descobrindo do mesmo assunto.
É preciso que eu reze a minha vida, que me distancie e me procure. Que reserve passwords especiais na minha vida e que saiba usá-las na hora oportuna. Que tenha a coragem de viajar e encontrar outros lugares aos quais chamar "casa". Porque se eu só amar o que conheço, o que está próximo e me deixa confortável nada faço de extraordinário.
Vivo no meu "vazio" cheio afectivo a tentar constantemente encher-me com mais isto e mais aquilo e esqueço que é preciso falar todas as outras línguas para perceber que a língua que falo é aquela que diz as coisas que eu sou.
Que tipo de aterragem pratico na minha vida? Como aterro? Dispo-me, entrego-me, procuro e amo sem medida?
Antes tenho um coração inquieto, que se protege do mar com pedras grandes e o resultado são explosões de espuma que causam estrondo. Eu quero ser absolutamente e sem reserva nem cálculo. Quero ser um coração de paz e saber que o mar é muito maior em extensão e profundidade e aceitar tudo o que trazem e o que levam. Ser um coração saudável que se deixa moldar pela vida.
Antes tenho um coração inquieto, que se protege do mar com pedras grandes e o resultado são explosões de espuma que causam estrondo. Eu quero ser absolutamente e sem reserva nem cálculo. Quero ser um coração de paz e saber que o mar é muito maior em extensão e profundidade e aceitar tudo o que trazem e o que levam. Ser um coração saudável que se deixa moldar pela vida.
E, em todo este processo, que a password seja "Jesus é o Senhor", é Aquele por quem me deixo embalar e mimar, pegar ao colo e inclinar-se para me dar de comer.
domingo, 17 de junho de 2012
Chega o final de mais um semestre... O final do segundo ano de faculdade. Diz a Joana a propósito de cenas e coisas que não é altura de pensar "nisso" em "véspera de época de exames". Tem razão, mas é difícil não pensar... Chegado o fim de mais um semestre é altura de balanços. E o balanço deste semestre/ano é difícil de constatar, de pensar, de sentir. Foi difícil aperceber-me daquilo que sempre ouvi dizer e que eu não queria realmente confirmar... Não queria confirmar que na minha vida pessoal não há espaço para grande parte das pessoas da vida académica, porque é difícil confiar, confiar-lhes... É mais fácil que continue a "haver uma linha que separa" as "duas vidas"... Está a ser um final de ano difícil de engolir por causa destas merdas, que vêm chatear, desconcertar e desconcentrar... E, realmente, como diz a Joana, não é altura para se pensar nisto, mas é preciso que me queira debruçar sobre isto e pensar sobre isto e abrir os olhos para isto...O resto do balanço virá com os resultados finais, foi um ano mais calmo que o primeiro, pelo menos até agora. Pelo menos sinto-me menos frustrada que no final do ano passado, onde houve stress, chatices e muitas lágrimas por ninharias. Quero serenar, quero aprender a fazer e fazer uma coisa que até aqui não tenho feito muito bem, que não soube fazer, que não esclareci comigo própria, que noutros sítios é "canja" e aqui... coiso! Quero saber amar aqui e poder olhar com amor quando as minhas mãos pegam num lápis e desenham e projectam, pegam num x-acto e em cola e fazem maquetes, pegam nos resultados finais e estão confiantes no trabalho final e no quanto se esforçaram... A firmeza não tem de ser só na fé. A firmeza pode e sinto que deve partir da fé, mas se não se manifestar no meu eu (que não tenho encontrado) e nas minhas acções diárias, algo está incoerente... Algo não sou eu...
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