quarta-feira, 23 de novembro de 2011

"Se a bateria do telemóvel está em baixo, ponho-o a carregar; se ouço um barulho estranho no carro, levo-o à oficina; se um relógio pára, mudo a pilha. Mas quando o corpo pede descanso, ignoro; quando a alma me pesa, não lhe dou ouvidos; quando ando ansioso, prefiro olhar para o lado. Como é possível que tenha com as máquinas preocupações que não tenho comigo próprio?"

[Ver para além do olhar - FB]

Profecia de Daniel

Dan. 2,31-45.
 
Naqueles dias, Daniel disse ao rei Nabucodonosor: «Ó rei, tu tiveste uma visão. Eis que uma grande, uma enorme estátua se levantava diante de ti; era de um brilho extraordinário, mas de um aspecto terrível.
Esta estátua tinha a cabeça de ouro fino, o peito e os braços de prata, o ventre e as ancas de bronze,
As pernas de ferro, os pés metade de ferro e metade de barro.
Contemplavas tu esta estátua, quando uma pedra se desprendeu da montanha, sem intervenção de mão alguma, e veio bater nos seus pés, que eram de ferro e argila, e lhos esmigalhou.
Então, com a mesma pancada foram feitos em pedaços o ferro, o barro, o bronze, a prata, o ouro, e, semelhantes ao pó que no Verão voa da eira, foram levados pelo vento sem que deixassem qualquer vestígio. A pedra que tinha embatido contra a estátua transformou-se numa alta montanha, que encheu toda a terra.
Este era o sonho. Vamos agora dar ao rei a sua interpretação.
Tu, ó rei, és o rei dos reis, a quem o Deus dos céus deu a realeza, o poder, a força e a glória;
a quem entregou o domínio sobre os homens, onde quer que eles habitem, sobre os animais terrestres e sobre as aves do céu. Tu é que és a cabeça de ouro.
Depois de ti surgirá um outro reino menor que o teu; depois um terceiro reino, o de bronze, que dominará sobre toda a terra.
Um quarto reino será forte como o ferro; assim como o ferro quebra e esmaga tudo, assim este esmagará e aniquilará todos os outros.
Os pés e os dedos que viste, em parte de argila de oleiro, em parte de ferro, indicam que este reino será dividido; haverá nele alguma coisa da resistência do ferro, conforme tu viste ferro misturado com argila.
Os dedos dos pés, em parte de ferro e em parte de barro, significam que o reino será ao mesmo tempo forte e frágil.
Se tu viste o ferro junto com o barro, foi porque as duas partes se uniram por descendência humana, mas não se aguentarão juntas, do mesmo modo que o ferro não se funde com a argila.
No tempo destes reis, o Deus dos céus fará aparecer um reino que jamais será destruído e cuja soberania nunca passará para outro povo. Esmagará e aniquilará todos os outros, enquanto ele subsistirá para sempre.
Foi o que pudeste ver na pedra que se desprendia da montanha, sem intervenção de mão alguma, e que reduzia a migalhas o ferro, o bronze, a argila, a prata e o ouro. O grande Deus fez conhecer ao rei o que acontecerá no futuro. O sonho é verdadeiro e a interpretação dele é digna de crédito.»

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

"- Aqui estou, Senhor como grão de areia no deserto.
- Aqui estou, Senhor, descalço, à tua espera.
- Aqui estou, Senhor, de coração aberto, à escuta.
- Aqui estou, Senhor, procurando paz na tua resposta.
- Aqui estou, Senhor, como o coração
da Virgem Maria, janela aberta, de par em par.
Para que o sol do teu ser se torne fecundo
e penetre o meu lar com a tua presença.
- Quero estar contigo, sentado, a teus pés,
sem pensar, nem procurar, sensível ao que me advém.
- Quero estar gratuitamente contigo, aqui e agora,
atento à tua palavra, totalmente presente nela.
- Quero unificar o meu ser com o teu,
A minha vida com a tua, Senhor da aurora.
- Tu és, Jesus, a última palavra,
acolhida no silêncio de uma dura experiência;
- Tu és, Jesus, Boa Nova, que alegra o coração,
- Tu és, como o silêncio das noites frias
que gota a gota empapa a terra ressequida.
- Jesus, quero unificar o meu ser de homem.
- Quero ser pessoa. «Ser» e não «Ter».
Ser na sua pureza.
- Quero abandonar o ruído
que me atordoa e escraviza.
- Quero cortar as amarras
que cercam a minha liberdade.
- Quero quebrar, rasgar, forçar, abrir cadeias.
- Quero que ponhas o teu coração terno
no pó e no nada da minha pobreza.
- Quero conhecer, saborear a tua misericórdia
para adoçar o meu coração de pedra.
- Quero que a luz do teu evangelho ilumine o meu ser
e o arranque da noite cega.
- Dá-me, Senhor, o auto-domínio,
o controlo e a vigilância
pois desejo ser servidor do teu Reino.
- Quero ser livre e ainda me sinto manipulado."

sábado, 22 de outubro de 2011

PASSO A PASSO, CHEGAMOS À SANTIDADE

“É Jesus que toma a iniciativa”, diz-nos João Paulo II, um dos padroeiros da nossa peregrinação. E Jesus tomou mais uma vez a iniciativa de nos chamar, através das palavras do Evagelho de S. João “Segue-me”. “Passo a Passo, Chegamos à Santidade”, passo a passo, no silêncio da oração, aprendemos a escutar a resposta “Vinde e vereis” e é com a certeza de que a santidade é também a morada do Mestre que, cerca de vinte e quatro jovens da nossa diocese, se predispuseram a peregrinar rumo ao Santuário de Fátima, nos dias 8 e 9 de Outubro.
O caminho foi longo... Cheio de subidas e de descidas, como que a lembrar-nos os altos e baixos da nossa vida. No entanto, foi uma caminhada muito intensa, cheia de etapas para concretizar, cheia de pequenos passos de oração individual e em grupo. Ao longo do caminho foi-nos feita uma pergunta: “O que é para ti ser peregrino?”. Pessoalmente, este peregrinar foi perceber que este fazer caminho não é em vão, que há sempre mais um passo, há sempre a necessidade de acreditar que há mais um passo e ver reflectido nesse próximo passo o sentido pleno do amor. Do meu amor a Cristo. Este peregrinar foi perceber que Cristo vive ao nosso lado, nos irmãos com quem partilhamos a existência quotidiana, irmãos que, consequentemente, amamos, que são confidentes, que nas subidas elevam o seu folgo ao rtimo do nosso e nas descidas sorriem connosco na agonia do esforço. Ser peregrino também é perceber que enquanto nos temos uns aos outros o caminho é menos árduo, porque rezamos juntos, porque nos sustentamos uns aos outros, porque, ainda que no silêncio, sentimos o passo do irmão e a amizade invadir-nos, porque quando escorregamos há uma mão estendida pronta a segurar-nos... E, enquanto nos tivermos uns aos outros, nada mais importa, porque Ele também estará reunido entre nós!
A peregrinação é um exercício de fé, leva-nos a perceber as nossas motivações pessoais para fazer caminho, leva-nos a pensar que passos queremos dar nas nossas vidas e onde é que queremos que esses passos nos levem. A minha peregrinação interior levou-me a depositar a minha caminhada nas mãos de Deus, “Confia no Senhor, sê forte e corajoso e confia no Senhor”, porque “O Senhor é a minha força, ao Senhor o meu canto, n’Ele está a salvação, n’Ele eu confio e nada temo”. Na peregrinação não corri o risco de interromper o caminho antes de ter chegado à meta da plena comunhão, não tapei as feridas antes de as curar, nem me entreguei ao morno antes de ter tentado ser quente, antes me deixei seduzir pela grande novidade da fé cristã, de que temos um Deus que nos procura para nos amar e, ao dirigir-se a nós, faz-nos o desafio de correspondermos ao Seu amor com a nossa vida, tentei corresponder a este amor, caminhando rumo à santidade, o sentido da cruz...
Em parte, o “Passo a Passo”, teve o seu grande momento junto à cruz, à Cruz Alta, presente no Santuário. Aí, pude agradecer o caminho percorrido, os passos firmes que dei e oferecer as vezes que vacilei, as vezes em que não acreditei, pude oferecer a minha pequenez e oferecer-me a Deus para que me use sem me consultar, como nos ensinam as palavras da Beata Teresa de Calcutá (“O maior milagre é que Deus se serve de pequenas coisas como eu. Usa-nos para fazer o Seu trabalho”; “Deixa que Deus te use sem te consultar”), a outra padroeira do nosso caminho.
Senhor, Tu que nos chamas, em cada dia à santidade, olha-nos com bondade, para que no meio das nossas alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, aspiremos sempre às coisas do alto!

Liliana Nabais

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

"Vamos mesmo dar estes passos que nos aproximam do Amor"




"O peregrino é aquele que num determinado momento da vida, tempo de procura, de inquietação, de desejo e atracção, se põe a caminhar em busca de uma nova verdade de si mesmo. A peregrinação envolve a pessoa toda, o passado, o presente e o futuro, a racionalidade, os sentimentos e a busca da beleza. Supõe uma atitude humilde e confiante, de quem volta a acreditar na vida, porque a procura numa nova s+intese. É a atitude desprendida, que supõe austeridade e mesmo penitência. Peregrinar é aceitar contentar-se, durante um tempo com o estritamente necessário. O peregrino é atraído por uma força interior e conduzido por uma luz superior. A peregrinação gera a harmonia da tranquilidade e da paz".
D. José Policarpo


"O Senhor dirija o nosso caminho e o faça prosperar em frutos de salvação.
O Senhor nos assista e se digne a ser nosso companheiro.
Deus nos ajude a levar a bom termo o caminho que confiadamente agora iniciamos."

E, é assim, que passo a passo, começamos a peregrinação e que, grão a grão, vamos completando esta construção de santidade.

A primeira vez que ouvi alguém responder "... porque quero ser santo" devo ter pensado "está louco!", mas essa loucura tem explicação... Rápido deixa de ser a loucura daquela pessoa, passa a ser a loucura de duas pessoas, depois três, quatro, cinco... E eu também sou afectada! Passo a passo, senti mais forte este desejo de santidade, este desejo de aceitar e carregar a cruz.

O que é ser peregrino?
É ter presente que as subidas e as descidas do caminho, são os altos e baixos da vida e que, inevitavelmente, vamos ter de passar por eles. E, no caminho, fazemo-lo acompanhados pelo peregrino do lado que é, consequentemente, um irmão que amamos, um confidente e muitas vezes um 'pai' ou uma 'mãe', é aquele que nas subidas eleva o seu folgo ao ritmo do nosso e nas descidas sorri connosco na agonia do esforço... Ser peregrino é bom!
Ser peregrino também é perceber que enquanto nos temos uns aos outros o caminho é menos árduo, porque rezamos juntos, porque nos sustentamos uns aos outros, porque no silêncio sentimos a amizade invadir-nos, porque quando escorregamos há uma mão estendida pronta a segurar-nos... E, enquanto nos tivermos uns aos outros, nada mais importa, porque Ele também estará reunido no meio de nós!

Ao longo deste exercício de fé, fui tentando perceber as minhas motivações, os meus passos, o que me levou ali... Não sei... No entanto, entreguei-me e depositei a minha caminhada nas mãos de Deus. "Confia no Senhor, sê forte e corajoso e confia no Senhor". E, nalguns quilómetros de caminho, aproveitei para lembrar, cantando, que "O Senhor é a minha força, ao Senhor o meu canto, n'Ele está a salvação, n'Ele eu confio e nada temo, n'Ele eu confio e nada temo"...

E deixei-me enamorar nas palavras de Henry Newman, reelaboradas por Madre Teresa:

"Ó Senhor, ajuda-me a difundir a Tua fragrância
por onde quer que eu vá.
Inunda a minha alma
com o teu espírito e com a tua vida.
Penetra em mim e apodera-te do meu ser
de modo tão completo
que toda a minha vida seja uma irradiação da Tua.
Ilumina por meu intermédio cada alma e
toma posse de mim de tal modo
que cada alma de que me aproxime
possa sentir a Tua presença na minha alma.
Faz com que, ao ver-me, não me veja, mas a Ti.
Fica comigo.
A minha luz virá toda de Ti, Senhor,
e nem sequer um raiozinho será meu.
Serás Tu a iluminar os outros por meio de mim.
Sugere-me o louvor que mais Te agrada,
iluminando os outros à minha volta.
Que não Te pregue com palavras,
mas com o meu exemplo,
com a influência das minhas acções,
com o fulgor visível do amor
que o meu coração recebe de Ti."

Senhor, Tu que nos chamas, em cada dia à santidade, olha-nos com bondade, para que no meio das nossas alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, aspiremos sempre às coisas do alto!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Preciso de crer, aumenta a minha fé

Aumenta a minha fé, Senhor,
preciso de ter uma fé sólida, valente,
na qual não haja lugar para a dúvida.
Preciso de ter uma fé cega,
que não procure continuamente provas para crer;
uma fé que tenha a certeza, desde o primeiro momento,
de que tu não estás morto,
de que ressuscitaste e estás vivo entre nós.

Às vezes sou como os discípulos de Emaús,
afasto-me, penso que está tudo acabado,
que tudo chegou ao fim,
que foi tudo uma história bonita,
mas que há que voltar a pisar a terra.

Às vezes, Senhor, sou também como Tomé.
Quero ver para crer, quero tocar, para comprovar,
não me fio no que me dizem.
Não me fio nas pessoas convenvidas
e alegres que se cruzam comigo.
Enquanto por fora continuam a dizer que ressuscitaste,
eu continuo escondido na minha cegueira,
com vontade de lançar tudo borda fora,
mas também com vontade de ver um pouco de luz.

Talvez sejas tu, Senhor,
quem me devolva essa luz que tanto desejo.
Talvez sejas tu, Senhor,
que me devolva a ilusão perdida.
Talvez sejas tu, Senhor,
quem me abra os olhos para ver a verdade.
Talvez Senhor, Tu possas fazer com que volte ao teu regaço.

Aumenta a minha fé,
proque preciso de crer.
Aumenta a minha fé,
porque quero amar-te cada dia mais.
Aumenta a minha fé, Senhor,
Aumenta a minha fé.

[Orar com Deus]

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Saudades dos ténis :P


Confesso que já sentia muitas saudades do meu "téni" esquerdo e do meu "téni" direito :P
Esta semana foi quase um reviver Madrid pelas dores nos pés e bolhas...
Mas sente-se o orgulho. Eu senti o orgulho de ser aspirante, senti o orgulho da minha praxe, senti o orgulho pela dor que a minha praxe me trouxe, senti o orgulho de trajar e de honrar o espírito académico... E, ainda que não tenha pertencido à comissão, também os sinto como meus caloiros e também me orgulho disso.
Orgulho-me dos afilhados que baptizei e de lhes ter dado as boas vindas aos melhores e aos piores anos das suas vidas na faculdade.
Esta semana foi louca... Quase sem paragens, correu a passos largos, foi cheia de "mimice" também :)

Obrigado a todos os que fizeram parte dela :)

sábado, 24 de setembro de 2011

Porque rezar, como rezar (Enzo Bianchi)

Reza sem cessar aquele que junta a oração aos deveres inadiáveis, e os deveres inadiáveis à oração. Só assim podemos pôr em prática o preceito «Rezai sem cessar» (1Ts 5, 17): se considerarmos toda a vida cristã como uma grande oração, da qual o que costumamos chamar oração é só uma parte.
Orígenes, A oração, 12,2

Por mais que possamos falar disso, todas as nossas palavras acerca da oração jamais se poderão igualar ao que a experiência ensina. A oração precisa de experiência. Oração é essencialmente fazer a experiência da presença divina. Fora desta experiência de Deus não há oração.
Matta el Meskin
L'esperienza di Dio nella preghiera, p. 371

«Até agora perguntávamo-nos: "O que é a oração?" Hoje, de repente, perguntamo-nos: "Ainda rezamos?"... Não sabemos mais se rezamos, e nem sequer se a oração ainda é possível. Porventura, demasiado fácil antes, ela parece hoje incrivelmente difícil. Hoje, como havemos de rezar, onde havemos de rezar?»
André Louy, Lo Spirito prega in moi, (pp. 10-11)

«à pergunta perplexa acerca do motivo pelo qual a fé, apesar de todos os esforços para a vivificar, esmorece num número crescente de cristãos, pode dar-se uma resposta muito simples, que talvez não contém toda a verdade, mas indica uma escapatória: a fé esmorece quando deixa de ser praticada... E essa práxis é a oração, em toda a plenitude do significado que este conceito comporta na Escritura e na Tradição.»
Gabriel Bunge, Vasi di argilla (p.9)

«Quando Jesus Cristo nos une à Sua oração, quando podemos fazer nossa a Sua oração, então somos libertos do tormento dos homens que não podem rezar. Mas é precisamente isto que Jesus Cristo quer para nós: Ele quer rezar connosco, quer que façamos nossa a Sua oração... Nós rezamos correctamente quandoa nossa vontade e todo o nosso coração se unem à oração de Cristo. Só em Jesus Cristo é que nós podemos rezar; e é também com Ele que aremos ouvidos.»
Dietrich Bonhoeffer, Pregare i Salmi con Cristo (pp. 64-65)

«Quando o Espírito estabelece a Sua morada no Homem, este já não pode deixar de rezar, porque o Espírito não cessa de rezar nele. Quer durma quer vigie, a oração não cessa nele; coma ou beba, durma ou trabalhe, o perfume da oração exala espontaneamente do seu coração. Então ele já não reza em horas determinadas, mas reza em todos os momentos. Mesmo o silêncio nele é oração e os movimentos do seu coração são como uma voz que, silenciosa e secreta, canta, canta para Deus.»
Isaac de Nínive, Prima collezione 35

«Jesus não só acolhe na oração tudo aquilo que é humano, mas ao mesmo tempo dá-lhe uma orientação nova, colocando-o directamente em relação com Deus... Ele encontra uma motivaação nova para falar de Deus. Para Ele, Deus não é a Majestade inacesssível, cuja Presença enche de medo ou de incompreensão; não é sequer o Absoluto, cujo afastamento e solicitude deixa o Homem completamente indiferente, mas é o Deus próximo, é o Pai que nos ama e de Quem devemos aproximar-nos com a simplicidade e a confiança de filhos. Na palavra "Pai" está todo o segredo da vida e da oração de Jesus»
Inácio de la Potterie, La preghiera di Gesù (p. 161)

«Suplicar a Deus para que conserve em nós o dom da fé, da luz que nos faz reconhecer em Jesus o Filho de Deus; exaltar a Deus que nos deu essa luz e os fez reconhecer a Sua realidade infinita, que se revelou no Seu Cristo: esta é a nossa vida. Toda a nossa vida, sem distinção de momentos, numa só unidade, numa só unificação. O Homem perfeitamente unificado chega a ser somente e incessantemente esta súplica e este louvor.»
Giuseppe Dossetti, L'identità del cristiano (p. 230)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Passo a passo

Tenho pensado que as pessoas podem não ser ou não são quem, realmente, pensamos ser ou quem, realmente, aparentam ser... Isto por causa de um livro 'delicode' que ando mais ou menos a ler. Não pegava neste livro talvez há anos, mas é daqueles livros que, quando retomamos a leitura, mesmo depois de anos, conseguimos saber, exactamente, em que ponto da história parámos. É daqueles livros que não desenvolvem, estão sempre a bater na mesma tecla e quando se chega ao fim fica-se com aquela sensação de "finalmente acabou, mas nem consegui perceber o porquê do título", isto porque a história é demasiado estranha...
Voltei a pegar neste livro, porque um ou dois dias antes tinha visto um filme que me relembrou parte da história.
O livro tem como personagem principal um arquitecto que tem sempre mil e uma coisas para fazer, mil e um sítios onde estar ao mesmo tempo e não vive além do trabalho, da empresa e dos prémios... Até ao dia em que decide oferecer um café a um mendigo que vive à porta da empresa. O mendigo muda a sua vida. Aliás, depois do café, o mendigo quase assume a sua vida. Além de outros pormenores estranhos, a história tem um que nunca percebi e chega a massacrar o leitor na tentativa de o explicar... O escritório do arquitecto, supostamente, funciona no décimo terceiro piso, mas esse piso não existe. Não consta dos botões do elevador, não consta na identificação do piso. Passa do décimo segundo para o décimo quarto piso, é como se existisse ali um buraco, sem ele, realmente, existir. A interpretação que faço disto é "aquele piso não existe porque as coisas e pessoas que 'habitam' nele também não existem. Assim, também arquitecto não existe porque era impensável alguém existir com aquela vida". Talvez o fim da história o revele. Não sei. E também não sei se algum dia chegarei a sabê-lo, porque o que me fez voltar não formam, nem os lindos olhos do arquitecto, nem as suas calças excelssamente engomadas, mas sim o mendigo... 

O mendigo apresenta-nos na história a sua visão do mundo. E se pensam que a sua visão é uma visão revoltada contra a sociedade onde sobrevive, enganam-se...
Este mendigo vive quase conformado com a sua situação, vive feliz a conhecer as pessoas pela sua forma de andar, pela marca dos sapatos, pela graxa com que engraxam os sapatos, pela cor dos atacadores... É assim, nesta simplicidade que conhece as pessoas. Não precisa de caras, nem de nomes... Pela forma de andar consegue tirar a "pinta" aos que por ali passam. Lembro-me de, quando comecei a ler o livro pela primeira vez, ter pensado que aquele homem e que a maioria dos mendigos do mundo, têm muito esta visão de cão... Se pensarmos bem os cães quando andam pelas ruas também só vêem sapatos, pés, formas de andar... Até em arquitectura isto é possível! Sabem aquelas janelas de cave que no exterior ficam rente aos passeios calcetados? Exacto, quem espreita através do interior delas também consegue essa visão de cão. Mas duvido que, quem espreite por elas e até mesmo os cães, tenham a sensibilidade deste mendigo. Não interessa o seguimento da história, porque é realmente entediante. Interessa apenas esta visão do mundo.

Lembrei-me disto quando vi "A Experiência Humana". Dois rapazes vão à procura de experiências humanas e de realidades diferentes das que vivem, uma delas passa por serem mendigos e viverem do nada. Dormirem na insegurança da ruas, no frio dos passeios, comerem o que tantas vezes não lhes dão, ou seja, nada...

E pergunto-me.
E nós?
Quantas vezes pensamos ser mendigos nas nossas vidas devassas apenas porque por momentos não nos compreendem, apenas porque nos dizem "não"?
E quantas vezes não somos realmente mendigos? Quando não tentamos conhecer, verdadeiramente, as pessoas à nossa volta e apenas nos deixamos deslumbrar pela sua 'forma de andar', apenas nos embevecemos com o que dizem ou como dizem e não levamos a fundo esse conhecimento?

O Senhor conhece as Suas ovelhas. Elas ouvem-n'O e reconhecem a Sua voz...
Até o cego de nascença na sua cegueira, soube reconhecer os pés do Mensageiro da Paz...

E nós nem nos damos ao trabalho de conhecer quem está ao nosso lado... Conhecê-los pela sua forma de andar, pela sua voz, pela sua alegria, pelos seus pecados, pelo seu silêncio...

Por isso me sinto feliz de conhecer o toque das chaves do meu pai ou da minha mãe, de saber distingui-los, de saber quando são eles ou são vizinhos que entram no prédio, de saber qual deles abre a caixa do correio, de saber quando são os tacões da minha mãe ou o passo coxo do meu pai...

Por isso sinto-me feliz de ser 'mendiga' e ter uma visão que passo a passo me leva a horizontes mais longíquos. Por isso me sinto feliz de ir conhecendo os que comigo caminham e que partilham as suas vidas comigo. Por isso me sinto feliz de amá-los na sua alegria, nos seus defeitos, nos silêncios, nas suas lutas...

Obrigado por nos deixares pegadas à beira mar para que saibamos reconhecer o Teu passo, o Teu caminho, mesmo na tribulação...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Peixes

Tela com aplicações em cartão prensado e ráfia

"Os Peixes mostram-se etéreos e misteriosamente charmosos, quase frágeis. Mostram, um nível de consciencialização que muitos desconhecem. Não são pessoas materialistas, entregam-se frequentemente de corpo e alma a causas que os outros vêm como perdidas, para eles não existe nada sem redenção.
Cheios de compaixão, a realidade em que vivem é tão verdadeira quanto a física. Possuiem uma paz interior invejável e conseguem manter-se calmos nas circunstâncias mais adversas. Visionários e muito sensíveis, respondem facilmente aos pensamentos e sentimentos dos outros. Conseguem perceber se os outros estão a passar por dificuldades, detectando a dor e sofrimento nas suas vidas.
Os Peixes escolhem muitas vezes dedicarem todo o seu tempo e energia a ajudar alguém desolado, e fá-lo sem pensar na recompensa. São capazes de se colocar nas condições mais indesejáveis para ajudar a libertar a carga de outros.
Os Peixes costumam ser bastante artísticos por natureza, virados sobretudo para a música e dança, mas também para a pintura, representação e outros. Nada egoístas e muito dedicados, fecham os olhos aos defeitos dos que amam.
Neptuno governa este signo mutável de água que tem como frase chave «eu acredito»."

Nem sempre é fácil possuir esta paz interior invejável, fechar os olhos aos defeitos dos que amamos, dançar...
Mas «eu acredito» e isso mantém-me viva!

Hoje, louvo-Te e Te dou graças por me manteres apaixonada e "aprisionada" ao Teu amor...