segunda-feira, 12 de setembro de 2011

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

"Só em Deus descansa a minha alma,
d'Ele vem a minha esperança.
Só Ele é o meu refúgio e salvação,
a minha fortaleza; jamais serei abalado"
[Salmo 62 (61), 6-7. 9]


É verdade, só em Deus andava a descansar a minha alma, mas, hoje, nem sei onde ela anda...

"Depois de muitas expectativas alimentadas na grande cidade, lá voltamos nós à nossa pequena aldeia da vida comum, com desalento e tristes." [ramodeamendoeira]

Depois das minhas ilusões alimentadas na grandeza deste Amor, lá volto eu à minha pequena pequenez, à minha pequena vida, aos meus pequenos horizontes que acabam na ponta do nariz... Pena o nariz não ser de Pinóquio...
Se calhar devia mendigar ao Senhor quartos de hora de compreensão, quartos de hora de fortaleza, quartos de hora de protecção, quartos de hora de um amor que nunca acabe...

Hoje, li qualquer coisa parecido com "se calhar Jesus é bem mais divertido do que o imaginamos". Quando a minha oração é de alegria consigo imaginá-Lo bem sorridente, bem amoroso. Quando na minha oração abunda aquilo que eu penso e não o que eu sinto, também não O vejo distante, vejo-O atento, próximo, vejo-O amar-me mesmo no meu pecado.
E sinto-O comigo... Naquele que vai entrando aos poucos, que vai caminhando comigo, que se alegra com as minhas alegrias e me levanta das minhas quedas, que 'manda vir' o perdão para que também eu possa ver o Senhor no alento renovado...

Olha Cristo, dou-te graças por este amigo e rezo por ele, pela sua caminhada, que seja cada vez mais firme, mais ousada e seja bem longa. Peço-te para que ele continue a iluminar-nos e a resgatar-nos dos nossos horizontes limitados.

Obrigado poe estar aqui. Junto.



quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Testemunho JMJ

A Jornada Mundial da Juventude em Madrid, não é um acontecimento fácil de expor em palavras. De certa forma, a Jornada começa com a visita da cruz que, o agora beato, João Paulo II entregou aos jovens, para que desse a volta ao mundo, a Jornada começa quando se toma o peso dessa cruz já carregada por milhares de jovens, começa quando se sente o peso de uma parte da Igreja que me acolhe. No entanto, a verdadeira Jornada vive-se em Madrid, onde acontece a Igreja Universal.
Sinto que não parti com uma expectativa demasiado elevada, sinto até que não sabia o que esperar da Jornada Mundial. Madrid revelou-me uma semana cheia de tudo. Cheia de peripécias, de sustos, de cansaço e, sobretudo, cheia de amor, de atenção, dedicação e entrega...
No primeiro dia, visitei a exposição da Madre Teresa de Calcutá, na Casa das Missionárias da Caridade e, além do esplendor da vida da beata que me comove pela dimensão da simplicidade, retive, pelo que ia lendo nos painéis ao longo dos corredores, a imagem de uma fruta apodrecida numa fruteira. Naturalmente, essa fruta apodrecida aprodeceria as restantes frutas à sua volta e, aqui, comparo um pouco com a experiência de Madrid, houve momentos desagradáveis que poderiam ter “apodrecido” a semana, no entanto, isso não aconteceu... Esses momentos que foram surgindo apenas nos mostraram a firmeza da nossa fé.
Senti que, em Madrid, aconteceu magia. Senti o poder do amor de Deus actuar e tornar-se cada vez mais visível, mais fáil. Senti em cada olhar, sorriso e palavra uma manifestação desse amor. Senti como é bom continuar a crescer ao lado daqueles que partilham comigo esta magia, como é bom crescer nesta Igreja jovem presente nas ruas, nas praças, nos metros, nos comboios de Madrid.
Em Madrid, soube bem a dureza e a simplicidade. Soube bem a dureza do cansaço que contava a história de mais um pedaço de caminho. Soube bem aperceber-me da grandeza do beato João Paulo II, no espectáculo do Wojtyla. Soube bem rezar vésperas no meio da rua, soube bem a simplicidade dessas paragens para nos manterem em ritmo de oração. Soube bem adentrarmo-nos na confusão para ficarmos apenas mais próximos. Souberam bem as partilhas, à noite, na aparente quietude de Móstoles. De certa forma, começou a saber bem os contratempos, o pó do aerodromo, a chuva durante a Vigília, pela união que se criou. Soube bem, em cada dia, darmos as mãos ao rezar o Pai Nosso e sentir a enormidade do abraço da paz, apesar de só abraçar aquele que está junto de mim, é um acto que se torna uno, ali entre dois milhões de jovens.
De Madrid ecoam ainda as palavras do Santo Padre “Deixai que esta Palavra penetre e crie raízes nos vossos corações, e sobre ela edificai a vossa vida. Firmes na fé, sereis um elo na grande cadeia dos fiéis... A Igreja precisa de vós e vós precisais da Igreja”, chego a Portugal este desafio de radicar a minha fé em Cristo e a tornar-me cada vez mais firme na fé da Igreja alimentada pela Palavra de Deus.
Agora que recordo Madrid, lembro a agitação das ruas, lembro o cruzar-me com tanta gente desconhecida que esteve ali e que vive fortalecida pela mesma alegria que eu, lembro a “independência” responsável, a liberdade entrecortada pelo susto, a adrenalina da distância e do sentir perto. Agora, sinto Madrid como cidade de contraste, um contraste são, agradável. O contraste de querer estar fora, estando dentro, o querer partir e ficar...
De Madrid, retenho também o desafio de ser aquilo que devo ser e assim pegar fogo ao mundo inteiro, como concluia a mensagem transmitida no musical Wojtyla.
Na certeza desta fé mais firme, hoje confio ao Senhor, as palavras de Bento XVI na homília da eucaristia do envio no aerodromo de Quatro Ventos, “Jesus, eu sei que Tu és o Filho de Deus que deste a Tua vida por mim. Quero seguir-Te fielmente e deixar-me guiar pela Tua palavra. Tu conheces-me e amas-me. Eu confio em Ti e coloco nas Tuas mãos a minha vida inteira”.

sábado, 27 de agosto de 2011



Cheguei à pouco do café com as amigas. Nos poucos metros entre a casa e o local onde nos separamos, pensei em tanta coisa... Pensei nos comentários espontâneos "andas a mil", "precisas de abrandar"... Pensei nas saudades de Madrid, que começam a assolar... A agitação das ruas, a agitação da noite, das "corridas" para Atocha, do fugir da confusão, do cruzar-me com tanta gente desconhecida que estava ali e vive pelo mesmo que eu, da alegria dos outros países, das viagens de comboio, de metro, do encostar um pouquinho a cabeça e sentir um porto seguro naquele que caminha comigo... Esta noite senti saudade disso... Senti-me parada, demasiado parada nesta correria que outros veêm a mil... Senti saudade daquela "independência" responsável, daquela liberdade entrecortada pelo susto, da adrenalina da distância e do sentir perto... Hoje senti Madrid, como cidade de contraste, mas um contraste são, um contraste agradável. Assim como o choque térmico estimula a circulação sanguínea, o contraste de Madrid estimulou este querer estar fora, estando dentro... O querer partir e ficar... O querer andar a mil de forma ponderada...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Hemos vuelto llenos!



Si, es verdad. Hemos vuelto!

Viagem, expectativas, animação e, finalmente, Madrid!
Uma semana bem cheia de tudo... De peripécias, de sustos, de cansaço, mas, sobretudo, cheia de amor, cheia de atenção e dedicação aos que caminham connosco...

Senti que, em Madrid, aconteceu muita magia. Senti o poder do amor de Deus actuar e tornar-se cada vez mais visível, mais fácil, mais firme. Senti em cada olhar, sorriso e palavra uma manifestação desse amor. Senti como é bom continuar a crescer ao lado daqueles que partilham comigo toda a magia. Senti o longo caminho que ainda há a percorrer...

Em Madrid, soube bem a dureza e a simplicidade. Soube bem a dureza do cansaço que contava a história de mais um pedaço de caminho. Soube bem a simplicidade de ver a entrega de outros e lembro a exposição da Madre Teresa. Souberam bem as lágrimas que cairam ao aperceber-me da grandeza do beato João Paulo II, no espectáculo do Wojtyla. Souberam bem os hinos, os salmos, os cânticos, as leituras breves e as preces da oração de vésperas no nosso cantinho do telheiro em Colón. Soube bem meter-me na confusão para ficar apenas mais próxima. Soube bem cada partilha. Soube bem orar pelos outros. Soube bem cuidar deles. De certa forma, começou a saber bem o pó do aeródromo, a chuva, os contratempos, pela união que se criou. Soube bem o darmos as mãos e rezar o Pai Nosso e apeceber-me da enormidade da Igreja que me acolhe em cada dia. Soube bem cada abraço da paz, cada promessa "Estou aqui, sempre!". Soube muito bem estar.

Assim, vejo Madrid, sob um olhar bem palerma que deixa muitas histórias gravadas, muito para contar, muito para saborear... Assim, recordo Madrid, com um largo sorriso quando penso na luz que fomos e somos uns para os outros, cada vez mais...

Obrigado*

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Mochila aviada, rumo a Madrid!!



Depois de uns dias na praia, de um fim-de-semana alargado em missão, de mais duas semanas na praia e três ou quatro dias em casa, está, novamente, a mochila aviada a postos para seguir para Madrid...

Muito há para dizer, muito há para escrever, mas é no silêncio que tudo é mais saboroso... É no silêncio que o amor ganha cada vez mais forma... E, apercebi-me que amo cada vez mais...
Tem sido um tempo bem especial e os mais próximos sabem-no e, de certa forma, saboreiam comigo este doce que Ele me deu, o doce que tem permitido preencher as horas e os dias...

Obrigado, Senhor, por Te manifestares, pelos Teus milagres, pela Tua providência :)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

As três plenitudes



"Os leitores já percebram, certamente, uma das minhas obcessões: o medo de que uma grande parte dos seres humanos esteja vazia de alma, seja gente incompleta, espantalhos de homem, seres por terminar, ou mesmo, por construir. Julgo que não exagero: alta percentagem de pessoas ficaram a meio caminho, pensaram que já estavam realizadas e dedicaram-se a vegetar, sem descobrir sequer que a sua alma era um tonel semi-vazio. Realmente no mundo há bastante menos “homens” do que as estatísticas registam: ficaram a meio, presos à sua adolescência, como uma fruta que nunca chega a amadurecer.
Ultimamente, porém, juntei a esta uma outra preocupação: os que estão cheios, para que serve a sua plenitude? O que fazem dela?
Esta preocupação começou a surgir no dia em que, lendo S. Alberto Magno, encontrei uma expressão terrivelmente reveladora. Diz o santo que existem três géneros de plenitude: “a plenitude do vaso, que retém e não dá; a do canal, que dá e não retém; e a da fonte, que cria, retém e dá”. Que tremenda verdade!
Conheço muitos homens-vaso. São aqueles que se dedicam a armazenar virtudes ou ciências, que têm tudo, coleccionam títulos, sabem tudo quanto se pode saber, mas julgam que cumpriram a sua missão ao encherem o seu depósito: não repartem sabedoria nem alegria. Têm, mas não partilham. Retêm, mas não dão. São magníficos, mas magnificamente estéreis. São simples servos do seu egoísmo.
Conheço também homens-canal: são aqueles que se gastam em palavras, passam a vida fazendo coisas e mais coisas, que nunca aprofundam o que sabem, que tudo o que entra pelos ouvidos deixam sair pela boca sem pousar no coração. São aqueles que padecem de neurose da acção, têm de fazer muitas coisas e todas depressa, julgam servir os outros, mas o seu seviço é, na verdade, uma maneira de acalmar as alfinetadas da alma. Homens-canal são muito jornalistas, alguns apóstolos, sacerdotes ou leigos. Dão e não retêm. E, depois de dar, ficam vazios.
Como é dificil, ao contrário, encontrar homens-fonte, pessoas que dão daquilo que é a vida da sua alma, que repartem como as chamas, acendendo a do vizinho sem diminuir a própria, porque recriam tudo o que vivem e compartilham tudo o que recriam. Dão sem se esvaziar, regam sem diminuir, oferecem a sua água sem secar. Cristo – penso – foi assim. Ele era a fonte que brota inextinguível, água que mata a sede para a vida eterna. Nós – quem dera – já nos daríamos por felizes se fôssemos uns simples fiozinhos escorrendo do alto da grande montanha da vida..."

Jornal Balada da União Maio/Junho


quarta-feira, 13 de julho de 2011

Água viva


"A sede é mais do que a ausência de água. É algo que não é experimentado pelas pedras, mas apenas pelos seres vivos, que precisam da água para viver. Qual dos dois sabe mais acerca da água viva, a pessoa que abre a torneira todos os dias sem pensar grandemente no assunto, ou o viajante do deserto, torturado pela sede que busca uma fonte de água"

[Vem, sê minha luz]
Madre Teresa


sábado, 2 de julho de 2011

Catedral de Pedra Oca


Um rei queria construir um templo e por isso pediu aos seus subditos que sugerissem qual o melhor material para a edificação do templo. Apareceram sete candidatos, mas apenas seis sugestões. Entre granito, mármore, cimento armado, prata, ouro, surge aquele que chega de mãos vazias e diz "Senhor, eis-me aqui!". Surge aquele que se entrega como pedra viva no templo do Senhor. Aquele que edifica a sua casa sobre a rocha, aquele que sente o "Fica connosco"...
Na Vigília de Oração onde escutei, uma vez mais, esta parábola da pedra para a construção de um templo, quis retirar-me da agitação e da desorientação da semana que passou, quis parar para me encontrar com o meu maior Amigo, quis agradecer-lhe por estar comigo sempre, mas no decorrer da Vigília, cheguei a pensar "Bolas! Não chega um ano de arquitectura, um semestre de materiais, uma semana deprimente e, até aqui, só se fala em granitos, mármores, argamassas... Uf!!" No entanto, esta Argamassa não se enquadra nas categorias de argamassa que deveria estudar. Esta Argamassa é sobretudo salvífica, é sobretudo sal da terra e luz do mundo. É Argamassa que une cada pedra do templo... É Ele que une cada um de nós...
Após uma partilha bem sincera, percebi que não tinha sido fácil compor o cenário da Vigília. O cenário equilibrava a cruz de S. Damião em pedregulhos e à volta havia pedras mais pequenas, areia e velas. Não tinha sido fácil equilibrar as pedras umas nas outras, não tinha sido fácil mantê-las constantes. Houve, talvez, a necessidade de procurar várias posições para que se equilibrassem. Não somos nós também assim? Pedras a tentar moldar-nos às situações quotidianas, a adaptar a nossa posição de forma a ficarmos mais confortáveis? A grande questão é que devemos sair cada vez mais de nós próprios e sermos cada vez mais os "serventes", as pedras vivas da obra de Cristo!! Devemos estar dispostos a dizer-Lhe a cada dia "Senhor, eis-me aqui! Portanto, faz de mim o que quiseres..."

Obrigado, por estares sempre comigo. Obrigado por seres o meu Maior Amigo :)