Esta semana, foi uma semana cheia de episódios estranhos, engraçados, como diria uma professora de História de Arte do secundário "muito exóticos!". E quando penso nesta questão do exostismo, da mistura, consigo, perfeitamente, adequá-la a esta semana.
Foi toda uma mistura de sensações. Alegria, entusiasmo, desânimo, irritação, confusão...
Hoje fizeram-me uma pergunta um bocado deslocada, sem estar, minimamente, à espera. Um colega de turma, que conheci no início do ano lectivo, perguntou-me:
"- Lili, és minha amiga?".
Ele já tinha feito esta pergunta a outros colegas, que numa de gozo ou, sei lá, de parvoíce lhe responderam que não. É verdade, que ele não é propriamente o tipo de pessoa que fale sempre a sério ou que tomemos como verdade tudo o que sai da sua boca. Mas aquela pergunta que caiu ali no meio daquela insólita aula de geometria soou a sincera e eu repondi "Sim!". No entanto, fiquei a pensar numa coisa que me disseram há dias: "Dentro de uma sala de aulas não há amigos" e, às vezes, quando olho à minha volta, quer nas aulas teóricas, quer nas aulas práticas, nem sempre vejo lá o confortável rosto de amizade... Mas consigo vê-lo nos nossos momentos Ice Cream Break, nos cafézinhos na esplanada da FA, nas horas de almoço partilhadas e nas escapadelas e intervalinhos das aulas. Claro que toda regra tem excepção!
Isto, associado a todos os episódios da semana e a algo que li sobre semáforos deixou-me a pensar...
Deixou-me a pensar que tudo é passagem. A vida é passagem. Mas se tudo é passagem, porque é que nos apegamos às coisas, às pessoas?
A Marioneta escrevia que quando o semáforo fica verde, pensamos:
"Uhuh!! ´Bora lá avançar! É a NOSSA vez!"
É a NOSSA passagem. Mas quando vivemos apegados a pessoas, não pode ser só a NOSSA vez, a MINHA vez!
Seria estranho, rídiculo até, que ao ficar verde, esperássemos e déssemos passagem aos outros, aos que se encontram no mesmo cruzamento que nós. Decerto os que circulavam atrás de nós não iam ficar muito satisfeitos... Quando "levamos" alguém connosco, esse alguém passa a ser importante. A NOSSA vez, a MINHA vez passa a ser também a SUA vez. E aí, a noção de que tudo é passagem fica distorcida...
Fiquei a pensar "Felizmente, existe o STOP!!" O Pára, Escuta e Olha. Aquele que dá oportunidade às vezes de todos e nos ensina a caminhar juntos.
Esta semana, foi também a semana de ver partir os amigos rumo às praias da linha de Cascais. Foi semana de ficar a ver o sol pela janela do quarto enquanto projectava, desenhava, estudava para a frequência. Foi semana de me irritar com as colegas de casa que ainda troçaram: "Lili, tens a certeza que não queres vir à praia connosco?", "Vamos sair, tens a certeza que não queres vir?" --'
Foi semana de entusiasmo pelas micro férias que aí vêm. Foi semana de desânimo por ver o trabalho acumular-se e instalar-se na confusão do quarto. Quarto este, que não é, literalmente, os cerca de vinte metros quadrados que partilho com a Sara.
Foi semana de ver crescer maquetes e spa's aqui por casa e nos estiradores da faculdade.
Foi semana de acontecimentos insólitos.
Daqueles que chegam e à semelhança de Um Maior, se fazem pequenos, mas no fundo, vêm cheios de si, das suas "verdades", do seu mundo, de relativismos e contrariedades. Daqueles que nos trazem a Luz e saem saciados. Aqueles que tanto querem partilhar que esquecem os outros e esquecem onde estão e esquecem que outros e que o sítio onde estão precisam de silêncio. Por esses, já que pelas ruas de Lisboa não anda decerto só aquele que agora conhecemos, desejo-lhes que Lhes fales ao coração e que deixem que ele se abra para que vivas junto deles.
Foi semana de me deixar invadir por ritmos e por permitir-me recordar que o ritmo se aproxima e que, com ele, se aproxima o cheirinho à "nossa" casa, se aproxima o sabor bom do Amor, o sabor bom da palermice, o encanto dos abraços, o encanto das palavras, o encanto de ser-se com verdade.
Desejo que Te mantenhas próximo, para que eu saiba viver na Tua verdade, na verdade da oração, na verdade do Teu caminho.