terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

"Há[via] um poço"... em cada um de nós!

"Um homem dirigiu-se a um convento de clausura, isto é, um convento onde se vive longe do ruído da cidade e num silêncio desejado. Perguntou a um desses monges:
- Que aprendeis vós com a vossa vida de silêncio?
O monge estava a tirar água de um poço. Disse ao seu visitante:
- Olha para o fundo do poço. Que vês lá dentro?
O homem olhou para dentro e disse:
- Não vejo nada.
O monge ficou algum tempo sem se mover e no final disse ao visitante:
- Contempla agora. Que vês no fundo do poço?
O homem obedeceu e respondeu:
- Agora vejo-me a mim próprio; espelho-me na água.
O monge concluiu:
- Vês? Quando eu mergulho o balde, a água fica agitada. Agora, pelo contrário, está tranquila. É esta a experiência do silêncio: o homem vê-se a si próprio."


Dentro de nós temos, muitas vezes, águas agitadas, acontecimentos vividos, preocupações sobre o dia de amanhã provocam-nos tensão, tiram-nos a calma, a serenidade, a paz. Tudo isto é ruído interior, é falta de silêncio.
Por que não autoconvidarmo-nos a manter dentro de nós "as águas calmas"? Enquanto não fizermos a experiência de um silêncio interior e exterior, não podemos colocar-nos, imediatamente, na presença de nós próprios.
Quando estou com "eles", em muitos dos momentos de silêncio, vou até ao poço, no jardim. Já aprendi lá algumas lições. Sempre que lá vou e olho, vejo-me reflectida. Habitualmente, a água não está agitada e é possível ver quem sou. É possível sentir-me livre. É possível querer atirar-me para aquele poço, só para ir ao mais fundo de mim, só para conhecer quem sou, só parar saber quais são as minhas verdadeiras aspirações. E, uma vez mergulhada, sentir-me saciada desta Sede e da água viva.

Dá-me sede. Sede de Ti, sede do Teu querer, sede do Teu amor.
Faz-me querer mergulhar na Tua água libertadora. Faz-me querer emergir na Tua luz e no Teu caminho.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Já sou grande, já não tenho dentes de leite!! :P

Isto de ir ao dentista deixa-me a pensar...

Primeiro, deixa-me a pensar que odeio dentistas :S

E depois, faz-me pensar e recordar as histórias que ouvia enquanto frequentava a escola primária. Histórias com um coelho dentista, o Doutor Dentolas, que nos ensinava como lavar os dentes, que nos mostrava os perigos a que os dentes ficavam expostos quando os 'bichinhos' se alojavam na nossa boca devido aos açúcares e todo o resto...

A questão do açúcar é, realmente, importante. Não só para os dentes, mas também para a vida.

Esta semana recebi um mail com uma história mesmo gira, fiquei tipo UAU!, porque nunca tinha pensado na questão, naquela perspectiva.

Contava a história que uma professora tinha perguntado aos pequenos alunos, durante uma aula, quem era Jesus. Uma aluna respondeu que Jesus era o Pai de todos. Perante a resposta, a professora, curiosa, quis ir mais longe e perguntou-lhes porque é que eles acreditavam em Jesus se nunca o tinham visto. Então, um dos meninos respondeu que era como o açúcar no leite. Ele não via o açúcar, mas sabia que ele estava lá a adoçar o seu leite. Assim era com Jesus. Não O via, mas era isso que adoçava a sua vida.

Durante muitos anos não suportava beber leite simples ou "leite branco", como eu dizia. Quando havia qualquer coisa que o adoçasse era muito melhor. Nessa altura, também não suportava (e ainda não suporto!) leite branco com açúcar. Nessa altura, o "Jesus" do meu leite era chocolate e também chegou a ser gelatina. Entretanto, habituei-me ao leite simples, mas só gelado, acabado de sair do frigorífico!!

Analisando a presença de Jesus na minha vida à luz desta analogia, também funciona um pouquinho assim. Umas vezes, pela oração e através dos outros, Ele adoça mais a minha vida. Outras vezes, as coisas têm menos sabor. Nessas alturas, sei que não vivo a partir d'Ele, com Ele e para Ele. Sinto que tudo é mais amargo, que o caminho não sabe tão bem, não é docinho...

Em relação aos dentes, obviamente, que é preciso preocuparmo-nos com o açúcar por causa das cáries e assim. Na nossa vida, a preocupação não passa tanto por Quem a adoça. Passa por manter próximo esse Doce. Passa por mantermos a nossa vida próxima da verdade desse Doce, porque só esse Doce liberta.

E sim! Já sou grande, agora já não tenho dentes de leite!! :P

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Torna-te aquilo que és (James Martin, SJ)

Excertos do livro "Torna-te aquilo que és", de James Martin, SJ.

«Para mim, ser santo, significa ser quem sou (...) a questão de descobrir quem sou e de descobrir o meu verdadeiro eu» (Thomas Merton, em Novas Sementes de Contemplação)

Quem é que tu queres ser?

O seu rosto parecia dizer-me: «Olha, eu sou feliz.»

«Porque havemos nós de passar a nossa vida a lutar por ser alguma coisa que nunca quereríamos ser, se porventura pudéssemos saber aquilo que realmente queremos? Porque havemos de desperdiçar o nosso tempo a fazer coisas que, se parássemos um pouco para pensar nelas, são precisamente o oposto daquilo para que fomos feitos?»

Andarmos a lutar por ser alguma coisa que nunca quereríamos ser quando «Nós só podemos tornar-nos quem somos se nos conhecermos a nós mesmos.»

«Antes de chegarmos a conhecer o verdadeiro eu, temos de nos confrontar com o falso eu que, habitualmente, passámos toda a nossa vida a construir e a alimentar.»

Este «falso eu», nada mais é que a pessoa que desejamos apresentar ao mundo. Uma máscara.

«No entanto, eu criara, ao longo de muitos anos, aquela personagem, aquele outro eu, que em meu entender, seria capaz de agradar a toda a gente (...) Esse falso eu tinha certezas acerca de tudo.»

«O nosso falso eu é aquele que nós julgamos ser. É a nossa imagem pessoal e a nossa aceitação social imaginárias, à qual a maior parte das pessoas passa a vida inteira a tentar corresponder - ou da qual passa a vida a tentar libertar-se.»

«Descoberta de mim mesmo ao descobrir Deus. Se eu O encontrar, encontrar-me-ei a mim mesmo, e se eu encontrar o meu verdadeiro eu, também encontrarei Deus». Por outras palavras, Deus quer que nós sejamos as pessoas para que fomos criadas: ser pura e simplesmente aquilo que somos, e, nesse estado, amar a Deus e deixarmo-nos amar por Ele. Trata-se, na verdade, de uma caminhada dupla: encontrar Deus significa deixarmos que Ele nos encontre. E encontrar o nosso verdadeiro eu significa permitir que Deus nos encontre e nos revele o nosso verdadeiro eu.

Ao longo desse processo, vamo-nos descobrindo gradualmente mais cheios de amor e generosidade, acreditando também que o próprio desejo de o fazer vem de Deus.
As nossas personalidades não vão sendo erradicadas à medida que vão sendo preenchidas; pelo contrário, vão-se tornando mais reais e, por fim, mais santas.

«Depois de termos aprendido a viver com o nosso verdadeiro eu, nunca mais conseguimos voltar a satisfazer-nos com a nossa falsa identidade: esta parece-nos completamente disparatada e superficial.»

Quem devo ser eu, afinal? Qual é o meu verdadeiro eu?
A busca do verdadeiro eu faz parte da tentativa de deixar que Deus nos conheça tal como somos.

Não preciso de ser ninguém, além de mim.

A vida de cada um é uma medida cheia de graças e bênçãos, bem como lutas e desafios.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Parábola dos Talentos

Mt 25, 14-30
«Será também como um homem que, ao partir para fora, chamou os servos e confiou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual conforme a sua capacidade; e depois partiu.
Aquele que recebeu cinco talentos negociou com eles e ganhou outros cinco. Da mesma forma, aquele que recebeu dois ganhou outros dois. Mas aquele que apenas recebeu um foi fazer um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.
Passado muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e pediu-lhes contas. Aquele que tinha recebido cinco talentos aproximou-se e entregou-lhe outros cinco, dizendo: ‘Senhor, confiaste-me cinco talentos; aqui estão outros cinco que eu ganhei.’ O senhor disse-lhe: ‘Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.’
Veio, em seguida, o que tinha recebido dois talentos: ‘Senhor, disse ele, confiaste-me dois talentos; aqui estão outros dois que eu ganhei.’ O senhor disse-lhe: ‘Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.’
Veio, finalmente, o que tinha recebido um só talento: ‘Senhor, disse ele, sempre te conheci como homem duro, que ceifas onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. Por isso, com medo, fui esconder o teu talento na terra. Aqui está o que te pertence.’ O senhor respondeu-lhe: ‘Servo mau e preguiçoso! Sabias que eu ceifo onde não semeei e recolho onde não espalhei. Pois bem, devias ter levado o meu dinheiro aos banqueiros e, no meu regresso, teria levantado o meu dinheiro com juros.’ ‘Tirai-lhe, pois, o talento, e dai-o ao que tem dez talentos. Porque ao que tem será dado e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. A esse servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.’»



Aconselharam-me a procurá-la, a propósito do post "More Coke - One Time Blind", acerca do que escrevi sobre a vontade de Deus para cada um de nós.
Talvez a Sua vontade seja que sejamos capazes de pôr a render os nossos talentos... Talvez a Sua vontade seja, como ouvi há dias "O Mandamento Novo", «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei»...
Como isto é difícil, bolas... Como é difícil amar sem limite, como é difícil amar a cruz, como é difícil descobrir quais são os nossos talentos, como é difícil saber como pô-los a render!! E como é tão mais fácil querer 500ml, quando Deus escolhe dar-nos apenas 240...

"Senhor, eis-me aqui, fazei de mim o que quiserdes" (Ana Maria Javouhey)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

"Dá-me dessa água"... Facilita lá as coisinhas!

Jo 4

Diálogo com a Samaritana
Quando Jesus soube que chegara aos ouvidos dos fariseus que Ele conseguia mais discípulos e baptizava mais do que João, embora não fosse o próprio Jesus a baptizar, mas sim os seus discípulos, deixou a Judeia e voltou para a Galileia.
Tinha de atravessar a Samaria. Chegou, pois, a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacob tinha dado ao seu filho José. Ficava ali o poço de Jacob. Então Jesus, cansado da caminhada, sentou-se, sem mais, na borda do poço. Era por volta do meio-dia.
Entretanto, chegou certa mulher samaritana para tirar água. Disse-lhe Jesus: «Dá-me de beber». Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos. Disse-lhe então a samaritana: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber a mim que sou samaritana?» É que os judeus não se dão bem com os samaritanos. Respondeu-lhe Jesus: «Se conhecesses o dom que Deus tem para dar e quem é que te diz: ‘dá-me de beber’, tu é que lhe pedirias, e Ele havia de dar-te água viva!»
Disse-lhe a mulher: «Senhor, não tens sequer um balde e o poço é fundo... Onde consegues, então, a água viva? Porventura és mais do que o nosso patriarca Jacob, que nos deu este poço donde beberam ele, os seus filhos e os seus rebanhos?»
Replicou-lhe Jesus: «Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede; mas, quem beber da água que Eu lhe der, nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der há-de tornar-se nele em fonte de água que dá a vida eterna.»
Disse-lhe a mulher: «Senhor, dá-me dessa água, para eu não ter sede, nem ter de vir cá tirá-la.» Respondeu-lhe Jesus: «Vai, chama o teu marido e volta cá.» A mulher retorquiu-lhe: «Eu não tenho marido.»
Declarou-lhe Jesus: «Disseste bem: ‘não tenho marido’, pois tiveste cinco e o que tens agora não é teu marido. Nisto falaste verdade.»
Disse-lhe a mulher: «Senhor, vejo que és um profeta! Os nossos antepassados adoraram a Deus neste monte, e vós dizeis que o lugar onde se deve adorar está em Jerusalém.»
Jesus declarou-lhe: «Mulher, acredita em mim: chegou a hora em que, nem neste monte, nem em Jerusalém, haveis de adorar o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. Mas chega a hora - e é já - em que os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são assim os adoradores que o Pai pretende. Deus é espírito; por isso, os que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade.» Disse-lhe a mulher: «Eu sei que o Messias, que é chamado Cristo, está para vir. Quando vier, há-de fazer-nos saber todas as coisas.» Jesus respondeu-lhe: «Sou Eu, que estou a falar contigo.»
Nisto chegaram os seus discípulos e ficaram admirados de Ele estar a falar com uma mulher. Mas nenhum perguntou: ‘Que procuras?’, ou: ‘De que estás a falar com ela?’
Então a mulher deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse àquela gente: «Eia! Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz! Não será Ele o Messias?» Eles saíram da cidade e foram ter com Jesus.
Entretanto, os discípulos insistiam com Ele, dizendo: «Rabi, come.» Mas Ele disse-lhes: «Eu tenho um alimento para comer, que vós não conheceis.» Então os discípulos começaram a dizer entre si: «Será que alguém lhe trouxe de comer?»
Declarou-lhes Jesus: «O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra. Não dizeis vós: ‘Mais quatro meses e vem a ceifa’? Pois Eu digo-vos: Levantai os olhos e vede os campos que estão doirados para a ceifa. Já o ceifeiro recebe o seu salário e recolhe o fruto em ordem à vida eterna, de modo que se alegram ao mesmo tempo aquele que semeia e o que ceifa. Nisto, porém, é verdadeiro o ditado: ‘um é o que semeia e outro o que ceifa’. Porque Eu enviei-vos a ceifar o que não trabalhastes; outros se cansaram a trabalhar, e vós ficastes com o proveito da sua fadiga.»
Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram nele devido às palavras da mulher, que testemunhava: «Ele disse-me tudo o que eu fiz.» Por isso, quando os samaritanos foram ter com Jesus, começaram a pedir-lhe que ficasse com eles.
E ficou lá dois dias. Então muitos mais acreditaram nele por causa da sua pregação, e diziam à mulher: «Já não é pelas tuas palavras que acreditamos; nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é verdadeiramente o Salvador do mundo.»


Cruzei-me, hoje, com a parábola da Samaritana. Hoje, mostrou-me que Jesus tem sede da nossa sede Dele. Mostrou-me que Ele tem sede de nós. No entanto, se o conhecermos é Ele que nos mata a sede. Quando bebemos da Palavra de Deus, que é o próprio Filho, Jesus Cristo, quando bebemos dessa fonte, tornamo-nos também fonte.
Pegando um pouquinho nas palavras da Samaritana: "Dá-me dessa água", pergunto-me "Quantas vezes não faço isto? Quantas vezes não penso «Senhor, facilita lá as coisinhas!»? E quantas vezes tenho coragem de acrescentar «Mas faça-se a Tua vontade e não a minha»?
Jesus obriga-me a confrontar com a minha verdade, com a minha história, tal como confrontou a Samaritana. Obriga-me a reconhecer as minhas fraquezas. Porque mantenho a necessidade de justificar as minhas más acções perante Deus, se a Ele só interessa a verdade?
Jesus diz-nos ainda: "Vós adorais o que não conheceis". Como se mantêm actuais estas palavras. Quantas coisas adoro que não conheço? Sinto que com Deus é diferente. Em Deus, há a sede de conhecer. E quanto mais conheço, mais adoro e, quanto mais adoro, mais quero conhecer!
A mulher encontrou a fonte e transformou-se em fonte, anunciando-a. Dá-me, Senhor, sede de Ti, para que me transforme em fonte e leve a água viva aos Homens de hoje. Permite que me abandone, humildemente, nos Teus braços como criança e, assim, possa ser saciada da Tua verdade e do Teu amor.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Hoje [e só hoje], porque pus os phones significa que não quero ouvir ninguém...

Flyleaf - All Around Me


"Orienta a tua vida", disseram-me. A minha vida está orientada. Eu quero viver isto, esta correria, este cá e lá, este frenesim que me faz sentir viva!! Quero sentir que tenho os pés bem fincados na terra e que assento os meus ideais em Cristo... Quero sentir o quente...Hoje, tenho uma pergunta que me inquieta, que me está deixar um nó na garganta indesembaraçável... Afinal, qual é a vontade de Deus para cada um de nós? Estarei a cumprir a Sua vontade? Ou estarei a afundar-me apenas em mim, apenas no que me traz prazer momentâneo, falsidade? Não é isso que eu quero... Eu quero apaixonar-me! Apaixonar-me pelo que é de Deus e pelo que é dos Homens! Quero tomar decisões apaixonadas! Quero, como nos diz Pedro Arrupe, "encontrar Deus; ou seja apaixonar-se por Ele de um modo absoluto, até ao fim."... Quero que a paixão deixe marca, quero que faça diferença em mim, nos que amo, no mundo!! Será pedir muito? Será pedir demais? Será pedir demais que se preocupem comigo, se estou feliz, aliás, se sou feliz em vez de questionarem apenas os meus resultados? Será pedir demais que aprendam a abraçar com amor? Será pedir demais que demonstrem que amam? Gosto de pensar que na dúvida o ser humano cresce. Gosto de pensar que na minha pequenez, sou digna deste Amor tão grande de Deus. Gosto de pensar que sou, orgulhosamente, Filha!
Sinto-me a viver cada vez de forma mais planeada e menos espontânea... Não me sinto, totalmente, livre como gostaria... Sinto-me amarrada a horas, a explicações! Isto entristece-me. Entristece-me que não seja capaz de sair à procura de respostas, que me limite a isto, ao que está próximo, sem olhar mais longe... Entristece-me a limitação... Entristece-me, tantas vezes, não saber quem sou, nem o que quero, nem qual é o meu lugar no mundo!!
Eu quero ter razões fortes que me façam sair da cama na manhã seguinte, quero perceber que depois de me levantar, continua a haver caminho para fazer, algo por que lutar e muito para aprender... E, de uma coisa tenho a certeza, é que tudo isto tem uma identidade que quero conhecer mais e melhor!! Tenho a certeza que quero levar esta Identidade para a minha vida, quero mostrá-La, quero que se revele em mim, nas minhas atitudes, no meu rosto, no meu olhar! Quero que me faça sentir viva!!
Hoje [só hoje e talvez alguns outros dias], porque ponho os phones significa que não quero ouvir ninguém, significa que quero manter-me, assim, em silêncio, significa que quero recolher-me no mais profundo de mim e arrumar. Arrumar o que tenho deixado espalhado, arrumar os rascunhos que tenho deitado ao vento, arrumar o que tem ido com a corrente, para que possa remar contra a corrente!

domingo, 30 de janeiro de 2011

668

668. Quem é que nunca gravou um ficheiro no computador com um nome aleatório apenas por preguiça? É uma pergunta parva, sim é! Pessoalmente, faço-o imensas vezes e quando quero encontrar alguma coisa é o caos... No entanto, 668, não é exemplo de um título dado ao acaso. Nada é por acaso. [Ou quase nada...]

Passaram, exactamente, 668 dias. De quê? Digamos que... de várias primeiras impressões :)

Hoje, senti que devia fazer uma partilha especial. Especial para os que "de longe" me têm seguido, os que ganharam "a sua vez" na minha vida...

Decerto, já sentiram necessidade de uma preparação prévia para algo que sabemos que vai acontecer, algo que sabemos ser difícil. Muitas vezes, sinto isso, essa necessidade de me preparar, de me disponibilizar para a mudança que pode chegar, mesmo sem eu dar conta. E, tenho-me apercebido que também é necessária uma preparação, uma adaptação à realidade que deixámos...
Pode soar mal e/ou parecer estranho o que vou escrever a seguir, mas não sou capaz de vos negar ou de ocultar este facto. O que soa mal no meio de tudo é que eu gostei desta sensação de hoje. Quando cheguei, esperava-me uma casa vazia, silenciosa, sem a agitação das múltiplas perguntas habituais, sem a correria ou o mau humor ou as risadas de três companheiras, ou mesmo sem o aconchego da família. Normalmente, não gosto de estar sozinha. Afinal quem gosta? Mas hoje, soube mesmo bem chegar e não haver nada deste habitual... Soube bem poder ter a tal [re]adaptação ao que, no fundo, de alguma forma, deixei para trás...

"Não vivas no oitenta", disseram-me hoje. Sabem, tem sido difícil viver no cem cá e no cem lá e, ainda que não queira avaliar por bitolas humanas, não sinto que seja justo viver cinquenta/cinquenta, porque acabo por não me dar toda eu por completo. Ao viver no oitenta, a discrepância é ainda maior...

Eu gosto de paragens, gosto de balanços e confirmei que gosto do sol de inverno...

"Tu porém, quando orares, entra no teu quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai" (Mt 6, 6).

Dois dias, cumulados de graças, tenho dito.

Em comentário espontâneo, justifiquei o meu funcionamento muito por imagem, por aproximação de exemplos, por metáforas, como um "sintoma" de ter estudado artes. É importante aprofundar o olhar e conseguir aproximações costuma ajudar-me a estar atenta.

Como sabem, ando, constantemente, munida de uma "saca". Orgulhosamente, a minha saca :D Desde um caderninho onde faço apontamentos, desenhos, rascunhos a colheres de café, fitas métricas e tudo o que seja "necessário" na mala de um projecto de mulher, existe também uma carteira muito desarrumada... Há uns tempos, adoptei a máxima de "arrumar o palpável, para arrumar a vida", mas nem sempre é assim. E, como postei, anteriormente, a minha carteira conta uma história de crescimento, pessoalmente, muito interessante.
Dei comigo, ontem à tarde, durante uma hora de MPZero, a pensar o que poderia mudar na minha vida. Não, não! O que TENHO de mudar na minha vida. E, como já me disseram, até mais que uma vez, é que tenho de ser sensível à sensibilidade dos outros. Peguei por aí. Quero mudar essa insensibilidade.

Em Julho, numa Vígilia de Oração, foi-me entregue uma pedra. Esta simples pedra, escondia uma metáfora, os corações de pedra. O meu coração de pedra. Adivinhem onde guardei a pedra... Exacto, na minha carteira!
Ontem, foi necessário recorrer a essa pedra. Foi necessário revê-la e [re]tocá-la, aperceber-me que este coração, que apesar de ter sofrido transformações e de considerar que já abri algumas fenestrações, ainda se mantém frio, ainda se mantém de pedra.
Entre um sol tímido de inverno, um vento que teimava em despentear-me e umas nuvens que cobriam o fim de tarde, dei por mim, primeiro, estacionada a um canto, com um caderno aberto e algumas linhas escritas e, no momento seguinte, a vaguear de um lado para o outro, atenta à pedra que, agora, saltava nas minhas mãos, atirando-a uma e outra vez ao ar, repetidamente. Recorrendo, uma vez mais, a metáforas: Sendo esta pedra o meu coração endurecido, é isto que lhe faço? Brincar com ele? Correr o risco de o deixar cair? Acreditem, isto deteve-me... E lágrimas correram... E crepitaram, novamente naquele dia, as palavras de S. Paulo: "Quando sou fraco, então é que sou forte". Entre "fungadelas" percebi que não era isto que queria e, quando levantei o olhar, à minha frente, erguia-se uma oliveira. Aproximei-me. Por consequência da chuva recente, havia uma espécie de musgo escorregadio agarrado ao tronco. A casca da árvore, apesar da textura rugosa e do aspecto duro e como que impenetrável, quando apertado com força na mão fechada, partia, não triturava! Só partia. Não funcionará também assim com a insensibilidade? Ainda que ela não se reduza a pó, será que não se parte com esta facilidade? Com um pouco mais de abertura de coração? Com um pouco mais de amor e de humildade?

Esta experiência que, agora, junto ao meu "currículo" de experiências de Deus, foi muito... Táctil? Não sei se é bem a palavra que serve nesta situação.
Táctil, talvez, porque tenho aprendido muito com os gestos, porque adquiro, visualmente, este Amor, porque com gestos posso retribui-lo, porque pelos gestos torna-se mais fácil dar voz ao mais insurdecedor de mim...

E, hoje, é Domingo! Dia do Senhor portanto, dia de alegria! Pegando em pequenos pormenores, hoje, senti-me, realmente, alegre. Como primeiro pensamento do dia, ainda de olhos fechados e meio a dormir, surge: "No príncipio exitia o Verbo. O Verbo estava em Deus. O Verbo era Deus" e saio para o banho. Já acordada, com a consciência de um novo dia começado, abro a porta da casa de banho e canto "O Reino de Deus / É um Reino de Paz, Justiça e Alegria / Senhor, em nós vem abrir / As portas do Teu Reino". Entre a agitação das músicas, dos acordes na viola (que, desta vez, pareceram fluir mais e melhor), nos risos e nos sorrisos, chegou mais um MPZero e chegou o meu momento zen :P

Como dizia, já muito lá atrás, confirmei o meu gosto pelo sol de inverno. Desta vez, pedia-se, à luz da oração, um compromisso e uma avaliação. O alcatrão estava morno em consequência do tal sol que, hoje, dia da alegria, brilhava animado lá bem no alto. Pensei "Como me sabe bem este 'conforto' do sol" e, sem hesitar, deitei-me no chão e deixei-me ficar quase uma hora, mas não fiz silêncio... Talvez, houvesse demasiadas vozes a gritar dentro de mim. Talvez, hoje, não fosse dia de arrumações interiores. Em vez disso, cantei. Porque quem canta seus males espanta e reza duas vezes e mais outra coisa que agora não me lembro... Cantei vezes e vezes sem conta, as Pegadas na Areia. As pessoas à minha volta, não deixaram de passar, também não lhes passou despercebida a minha forma de oração. Afinal, o mundo não estava parado, eu é que decidira parar no mundo! E, hoje, nada me soube melhor que isso e que os abraços dos que amo.

Agora, dirigindo-me, directamente, a vós e vós sabeis quem sois... Admiro-vos. Oh, vocês sabem-no. É toda esta alegria que vos torna novos. É por toda esta vida e vivência que têm que não vos atribuem vinte e nove, trinta e dois, trinta e sete ou outros anos... Parecem-me e, talvez tenha sido a maioria das minhas primeiras impressões, uns autênticos miúdos. No bom sentido, claro! Porque sabem ser alegria e amor à luz de Cristo e no mundo dos Homens. Admiro-vos e, particularizando um pouco: a uma porque pode ser mil e uma pessoas e mantém-se autêntica; a outra porque é uma palerma tão inconfundível que pronto :D; a outra porque, apesar de pequenina, lhe reconheço um sentido de humanidade brutal; a outra que tem gostos um bocadinho diferentes dos meus, mas quando comparamos certos aspectos, somos iguais e também porque está a ficar palerma; a outro porque sabe os impropérios quase na sua totalidade de cor e salteado e de tudo faz uma piada; a outro por abraçar constatemente, pela energia e pelo ritmo; a outro porque quando se lhe dá uma viola para as mãos faz magia e é tão uou ver aquele brilho nos olhos; e a outro por ser guia, pelo apoio, pelo suporte, por ser, como li há dias, "ramo em flor"...

Se houvesse um medidor de amor, seria complicado, na medida em que vos amo sem medida e desculpem a redundância e a lamechiche, se calhar é mesmo demasiado Espírito Santo na água das Irmãs, mas é isto que sinto. Sinto-vos família.

Obrigado :')

sábado, 22 de janeiro de 2011

"More Coke - One Time Blind"



Encontrei [quase] por acaso...
Este vídeo deteve-me em duas questões importantes.
Primeiro, as propriedades da Coca-Cola, o seu valor energético, presente na cafeína. Quererá Deus mostrar-nos que não devemos deixar-nos adormecer perante os outros, perante o mundo?
Segunda questão. A vontade de Deus eram apenas 240ml, porquê querer mais que a sua vontade? Por que não respeitá-la?

Como Ele nos diz: Enquanto não conserguirmos ver além disto, só veremos uma lata de Coca-Cola...

Pára! Escuta! Olha!

"Pára!
Alguém quer falar contigo.
Não adianta fugires, andando inquieto sem saber o que alcançar.
Permanece onde estás, para poderes perceber de onde vem o apelo.
Onde quer que estejas, o Senhor fala-te.
MAS, PÁRA!

Escuta!
O mundo que te rodeia está cheio de barulho.
Ouves muitas vozes, muitos ruídos.
Deus está nele, mas tu não O consegues ouvir.
A sua voz ecoa dentro de ti, mas não te apercebeste ainda.
Ele pede-te silêncio. Quer falar-te no íntimo do teu ser, no coração.
Tu só conseguirás ouvi-lo, se calares os ruídos que te estorvam,
Aumentando o volume do teu silêncio, e sintonizares o som que vem de Deus.
MAS, ESCUTA!

Olha!
Não com os teus olhos, mas com os de Deus.
Este olhar está no teu coração.
Só o conseguirás, limpando o que está nublado,
Porque “o essencial é invisível aos olhos”!
MAS OLHA!

Pára! Escuta! Olha!

Deus está em ti, habita no teu coração e ama-te.
Ao parares, irás receber:
O Pai, que não está só nos céus, mas em ti.
O Filho, que deseja uma profunda comunhão contigo,
Que só se inicia quando tu permitires.
O Espírito Santo, que fez fluir o amor.
Ao escutares, irás saborear:
O Pai, que é Amor.
O Filho, que é Fidelidade.
O Espírito Santo, que é sabedoria.
Ao olhares, irás contemplar:
O Pai, que te sustém no teu viver.
O Filho, que te ajuda a descobrir a entrega por amor.
O Espírito Santo, que te conduzirá à vida plena de graça e verdade.

Pára! Escuta! Olha!
Ele está aqui à tua frente.
Abre-Lhe o teu coração."

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

"Lord, you catch me when I'm falling"

E, hoje, outra vez...