terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O Primeiro Projecto




Planta de Piso
 
  


Alçado Lateral Direito



Alçado Posterior



Alçado Lateral Esquerdo






Alçado Frontal


Apesar de não me andar a deixar muito orgulhosa, nem muito feliz, não deixa de ser o meu primeiro projecto...

E quando tudo parece ter deixado de fazer sentido?

Há uns tempos alguém, como quem tenho aprendido muito, disse-me "Os artistas tendem sempre a dramatizar as coisas".

Lá ressurgem os 'probleminhas' que nos consomem e não passam disso, de probleminhas e não deixam espaço para as grandes questões...

E quando tudo parece ter deixado de fazer sentido? E quando não amamos? E quando ainda não amamos? E quando ainda nem descobrimos o que é o amor? E quando queremos avançar e lutar e algo nos prende?

Hoje, foi um dia cinzento, por entre as nuvéns aparecia, ocasionalmente, o sol. Hoje, estive assim "cinzenta" com rasgos de alegria que ao cair da noite se desfizeram e com a escuridão, vieram as dúvidas.

Porque, hoje, foi dia de partilhas importantes, obrigado*

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

AGORA É A MINHA VEZ de portfoliar :P

Há horas que publiquei este título como estado do Facebook. A ideia era: publico e vou ao blog publicar também... Acontece que passaram horas, literalmente, a portfoliar e a ver crescer a quantidade de projecto para acabar. Alguém durante uma chamada telefónica me dizia "Calma, ainda é quinta-feira..." e eu, stressadamente, respondi "E AMANHÃ JÁ É SEXTA!!", mas pronto o projecto há-de ser finalizado, pela manhã, bem cedo!

AGORA É A MINHA VEZ de portfoliar noutro lado :P

Ontem, comentei um certo e determinado blog, onde apresentei a seguinte perspectiva "Eis que podemos comparar a nossa vida a uma caixa de correio electrónico!"

Como isto pode ser verdade... Quem não conhece a metáfora e o clichet da história do comboio comparado à vida que é habitual 'chover-nos' na caixa de entrada do telémovel durante as passagens de ano!? Confesso que este ano não a recebi, felizmente!
Não deixa de ser, como direi, comovente...? toda a comparação das carruagens com não sei o quê da vida, as entradas e as saídas, com os amigos e bla bla bla...
Se pensarmos (e não precisa de ser muito :P), mais facilmente, comparamos a vida a uma caixa de correio electrónico e ainda somos vistos 'in' por recorrermos às modernices da tecnologia!!

E porquê uma caixa de correio electrónico? 
Porque na vida há, realmente, entradas e saídas, como a caixa dos mails recebidos e dos mails enviados.
Porque na vida, também deixamos coisas em stand-by, como nos rascunhos.
Porque organizamos a nossa vida, como que por pastas.
Porque a nossa vida é cheia de contactos...
Porque na nossa vida também temos coisas indesejadas, como os mails correntes. Com a diferença que, por mail, normalmente, apagamos ou pelo menos, não reenviamos e na vida real não temos a possibilidade de fazer Delete, não temos uma caixa de lixo electrónico onde possamos 'armazenar' o que não nos é aprazível.
Depois, há as caixa de correio electrónico que ficam entupidas com publicidade, com newsletter, notificações de redes sociais, garantias de prémios, entre outros. Alguém, recentemente, me fez ver que a nossa vida é, muitas vezes, entupida com probleminhas que não nos deixam ver além deles... Mas aí também encontro uma diferença entre o correio electrónico e a vida. No correio electrónico já há a possibilidade de aumentar o armazenamento das caixas, enquanto que na vida, há a tendência de aumentar o tamanho dos probleminhas e dar-lhes toda uma importância que eles não têm. Toda essa dramatização faz com que encha e não despeje. Ao contrário da caixa que vai ganhando mais espaço...

A questão do espaço, também é algo importante a considerar!
E, não querendo lembrar dos apontamentos perspécticos que tenho de fazer de toda uma área envolvente de um abrigo, entenda-se por espaço, o valor que damos às coisas. A importância que damos a certos "mails" da nossa vida... Quantas vezes já rejeitámos ao "ler" o assunto por pensarmos que pudesse se mais um daqueles corrente que recebemos, inconvenientemente? Na vida, alguns, não podemos reenviá-los, nem fazer Delete. Se Alguém os coloca no nosso caminho é porque tem de ser e há que respeitar essa vontade. Afinal, é a vontade de Alguém superior. Alguém que tem uma lista de contactos infinita e que nos manda "mails" todos os dias e que, mesmo não sendo correntes, espera que os reencaminhemos sempre, de forma a dar-mos conhecimento do Amor tão grande que nos une aos nossos contactos!

Pensemos nisto!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O Pequeno Parafuso

«No casco de um grande navio havia um pequeno parafuso, minúsculo e insignificante, que juntamente com outros, também pequenos e insignificantes como ele, ligava duas vigas de aço.
Durante uma viagem no meio do oceano Índico o pequeno parafuso decidiu que era tempo de acabar com essa sua existência obscura e mal paga. Passados tantos anos nunca ninguém lhe tinha dito «obrigado» pelo que fazia. Disse então para consigo:
-Vou-me embora! Está decidido!
Os outros parafusos disseram:
-Se tu vais, também nós iremos!
De facto, logo que o parafuso começou a mexer-se no seu buraco, também os outros começaram a movimentar-se.
E cada vez mais.
Os pregos que seguravam as tábuas do navio protestaram:
-Assim também nós somos obrigados a deixar o nosso lugar…
As vigas de aço gritaram:
-Por amor de Deus, parai! Se ninguém nos segura, é uma tragédia!
A intenção do pequeno parafuso de deixar o seu lugar propagou-se de repente por todo o imenso casco do navio.
Toda a estrutura, que antes enfrentava as ondas com tanta firmeza, começou a vacilar penosamente e a tremer.
Foi então que todas as vigas, as ferragens, as tábuas e os parafusos e até os pequenos pregos decidiram mandar uma mensagem ao parafuso para que renunciasse ao seu propósito.
Disseram-lhe:
-O barco afundar-se-á e nenhum de nós voltará a ver a sua pátria.
O pequeno parafuso sentiu-se orgulhoso com estas palavras e descobriu imediatamente que era muito mais importante do que pensava. Então mandou dizer a todos que permaneceria no seu lugar.»





Um parafuso seria louco demais, no entanto, é de salientar que me habituei a transportar na mala uma fita métrica, daí advém a necessidade de ter uma mala enorme e que até já tem uma alcunha ("Saca") :P
Este pequeno grande parafuso, embora ignorado contribui à sua maneira para que o navio possa navegar. Acabou por sentir-se grande na sua pequenez.
Nós, enquanto seres humanos, somos diferetnes, mas cada um tem uma missão única a realizar neste mundo ao longo da sua existência. E todos, sem excepção, somos importantes.
Já tomámos consciência desta missão que temos de cumprir? Será que já descobrimos qual é?
Ainda que saibamos que, mesmo antes da nossa existência, já existíamos nos sonhos de Deus e ainda que isso nos reconforte, que deixe marca e que nos faça sentir confortáveis, a nossa missão não se fica por aí. Não fica pelas questões que colocamos, não fica pelas vezes que não saímos à procura de respostas, não fica só em louvores, ou só em orações. Sejamos um bocadinho mais que isso, estejamos um pouquinho à frente disso. Sejamos um pouquinho mais a cada dia...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Multiplicação

Estava eu a pensar o que seriam, hoje, os meus "Sagrados 10 minutos", quando recebi a notificação do Evangelho Quotidiano.

Do Evangelho de S. Marcos:
Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ove-lhas sem pastor. Começou, então, a ensinar-lhes muitas coisas. A hora já ia muito adiantada, quando os discípulos se aproximaram e disseram: «O lugar é deserto e a hora vai adiantada. Manda-os embora, para irem aos campos e aldeias comprar de comer.» Jesus respondeu: «Dai-lhes vós mesmos de comer.» Eles disseram-lhe: «Vamos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer?» Mas Ele perguntou: «Quantos pães tendes? Ide ver.» Depois de se informarem, responderam: «Cinco pães e dois peixes.» Ordenou-lhes que os mandassem sentar por grupos na erva verde. E sentaram-se, por grupos de cem e cinquenta. Jesus tomou, então, os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e dava-os aos seus discípulos, para que eles os repartissem. Dividiu também os dois peixes por todos. Comeram até ficarem saciados. E havia ainda doze cestos com os bocados de pão e os restos de peixe. Ora os que tinham comido daqueles pães eram cinco mil homens.




Sabem o que é que este Evangelho de hoje me fez lembrar!?
O nosso repartir do pão durante a missão. Aquele gesto simples que me deixou ainda mais apaixonada. Tal como há uns dias atrás, algo me fez recordar a missão e querer voltar, hoje, depois de um dia cansativo, também me apeteceu, simplesmente, voltar. Voltar ao quente. Às noites quentes do Verão, ao quente da família e ao quente dos amigos, que são irmãos a caminhar. Voltar ao quente das partilhas, ao quente dos acordes, ao quente dos sorrisos, ao quente da palermice (e acabei de receber um ataque de palermice da Pulga!! :P). Apetece (re)voltar ao quente dos abraços, dos reencontros e dos 'Amo-te'!

Porque é que tão mais especial a cada dia que passa?

Deixo-vos duas perguntas que reli à pouco tempo:
Já alguma vez foste verdadeiramente feliz?
Já alguma vez fizeste alguém realmente feliz?

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

EO 1144

Decidi partilhar, porque foi muito especial :)

«Bom dia Liliana :) "Confia no Senhor! Sê forte e corajoso e confia no Senhor"»

«Até ao próximo postal medita no verbo: ORAR "Oferecerei sacrifícios de louvor no Seu santuário, cantarei e entoarei hinos ao Senhor"»

«CONFIAR "Ainda que um exército me cerque, o meu coração não temerá"»

«Sacrificar "Ama a tua cruz e segue-Me"»

«Olhar "Queres saber de que cor são os sonhos de Deus? Volta a olhar o mundo uma primeira vez"»

«Está na hora de recarregar baterias. Boa noite e sonha com Ele. "Deus é amor. Atreve-te a viver por amor"»

«Bom dia Liliana :) Antes de mais quero destacar um verbo do dia de ontem: CONFIAR. Confia em ti e nos teus dons pois também Deus o faz. Hoje convido-te a meditar sobre os dons do Espírito Santo, fundamentais quando temos por missão dar a conhecer o Seu amor...»

«Sabedoria "Aquele que presta às depressões salutares habita entre os sábios"»

«Ciência Que o teu coração seja audaz para receber o conhecimento e forte para que não negues os ensinamentos do Pai»

«Conselho "É preciso fugir ao mundo"»

«Entendimento "No princípio existia o Verbo; O Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus"»

«Fortaleza "Eu não sou nada e do nada nasci"»

«Piedade "Sou na Tua Igreja, um membro vivo, E dou as mãos aos irmãos, que sentem como eu o prazer de ser um irmão Teu"»

«Boa noite, é quando as coisas correm menos bem que mostramos a nossa força! Eu acredito em ti. "O Senhor é a minha força, ao Senhor o meu canto"»

«Bom dia querida Lili :) Estás quase a descobrir quem sou! Hoje vou dar-te muito que pensar fá-lo com amor e entrega e não mais esquecerás o 1144"»

«Jesus foi crucificado para nos salvar... E tu? Como vais retribuir?»

«Maria consagrou a sua vida ao amor de Deus... Quererás tu ser mensageira desse amor?»

«Deus confiou-nos o Menino que agora nasceu... Saberás fazê-lo crescer no teu coração?»

«Deus confia em ti e convoca os teus dons... E tu? No mais íntimo de ti, acreditas no que vales?»

«A carne é fraca... Julgas, porventura, que és invencível?»

«Deus pede-nos que sejamos QUENTES... ...aceitas o desafio?»

«Diz o povo que: "Deus escreve direito por linhas tortas"... Vais procurar compreendê-lo ou os atalhos satisfazem-te?»

«Estamos a poucas horas do fim do Convívio... ... continuarás a ser instrumento do amor de Deus no 4º dia?»

«VAI P'LO MUNDO MOSTRAR A TUA HERANÇA :)»


Fiquei completamente rendida a estes bilhetinhos que ia recebendo. Parecia mesmo aquelas crianças que quando recebem um presente ficam com os olhos a brilhar e tudo pára para poder disfrutar daquele instante de felicidade, se continuar chegaria a conclusão de uma felicidade falsa. Mas neste caso, não foi. Perguntava, constatemente, e a toda a gente "Alguém tem mais bilhetinhos para mim?" e os meus olhos brilhavam decerto quando os recebia, no entanto, levaram-me à oração e a uma felicidade que foi construída assente na rocha que é Cristo, logo não pode ser uma felicidade falsa. Creio que seja a mais pura das felicidades. Obrigado à minha "Amiga Secreta".

"Confia no Senhor, sê forte e confia no Senhor!", como disse, esta mensagem foi cruzando estes três dias que vivi. Três dias de entradas e saídas, três dias de mimos, três dias de abraços, três dias de "Amo-te", mas também três dias que me puseram "estranhamente" calma e que, quase no fim, me deixaram num nervosismo e com um nó na garganta horríveis, que só apetecia... Exacto! Notou-se, eu sei que se notou... Mas tentei ser mais, tentei que, à Luz do Menino que nasceu, fossemos mais e fossemos, sobretudo, instrumentos do Amor de Deus...

Agora, toda eu, estou feliz e, apesar, do cansaço que já comecei a combater, apetece-me voltar e continuar a aspirar às coisas do alto. Não me apetece voltar ao mundo, ao corrupio da rotina, à corrupção deste silêncio, ao ritmo de ausência de ritmo que, no entanto, me parece ter sido um pouco combatido e ganho um ritmo próprio, ainda que com algumas falhas.

Hoje, apetece-me só amar. Só continuar esta exeriência de amor e levá-la porta fora sempre que saia. Hoje, apetece-me que se faça diferença dentro e fora de mim. Apetece-me, não ser perfeita, mas ser inteira. Apetece-me que aconteça Natal todos os dias :)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Comer as bolachas dos outros...

Era uma vez uma rapariga que estava à espera do seu vôo, na sala de embarque de um grande aeroporto. Como ela tinha que esperar muitas horas, resolveu comprar um livro para matar o tempo.
Comprou, também, um pacote de bolachas.
Sentou-se numa poltrona, na sala do aeroporto, para que pudesse descansar e ler em paz.
Ao seu lado sentou-se um homem.
Quando ela pegou na primeira bolacha, o homem também pegou numa. Ela sentiu-se indignada, mas não disse nada.
Apenas pensou : "Mas que descaramento! Se eu estivesse mais mal-disposta, dava-lhe um murro num olho para que ele nunca mais se esquecesse !!! "
Mas a cada bolacha que ela pegava, o homem também pegava numa.
Aquilo deixava-a tão indignada e perplexa que nem conseguia reagir.
Quando restava apenas uma bolacha,ela pensou: "Ah, o que será queeste abusador vai fazer agora ?"
Então o homem dividiu a última bolacha ao meio, deixando a outra metade para ela.
Arrr!!! Aquilo era demais!!! Ela estava a bufar de raiva!
Então, pegou no livro e nas suas coisas e dirigiu-se ao local de embarque.
Quando ela se sentou, confortavelmente, numa poltrona já no interior do avião, olhou para dentro da mala para tirar uma caneta, e para sua surpresa, o pacote de bolachas estava lá... ainda intacto, fechadinho!!!
Ela sentiu tanta vergonha!... Só então se apercebeu que a errada era ela, sempre tão distraída! Tinha-se esquecido que as suas bolachas estavam guardadas, dentro da mala...
O homem tinha dividido as bolachas dele sem se sentir indignado, nervoso ou revoltado, enquanto ela tinha ficado transtornadíssima, pensando estar a dividir as dela com ele.
E já não havia mais tempo para se explicar... nem para pedir desculpas!

Quantas vezes, na nossa vida, somos nós que estamos a comer as bolachas dos outros, e não temos a consciência disto? Antes de concluir, observa melhor! Talvez as coisas não sejam exactamente como pensas!
Não penses o que não sabes sobre as pessoas.


Já não é a primeira vez que esta história se cruza comigo. Hoje decidi partilhá-la.
Partilhar, porque o que, hoje, sobressaiu neste texto foi o pormenor "matar o tempo".
O tempo já é tão curto, tão reduzido, que se o andarmos para aí a 'matar', o que é que sobra? Onde fica o pouco tempo que temos, mas que nos esforçamos para que seja de qualidade? Onde ficam todos os momentos que gostaríamos de ter sem esse tempo que tanta falta faz?
Coincidência, ou não, uma vez que, as coincidências, não existem. Hoje foi o dia mais curto do ano e num gesto simples, mas com uma alegria enorme, ouvi uma colega dizer "Wee^^ A partir de agora é sempre a crescer!!" e ocorreu-me que a partir de agora, talvez conseguisse ter tempo para tudo...
Agora foi tempo de partilha. A seguir, tempo de oração. E depois, tempo de descanso, porque apesar de termos a eternidade para descansar, podemos ter a eternidade já aqui :)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Partilha de hoje...

Maravilhas fez em mim, minh'alma canta de gozo,
Pois na minha pequenez, se detiveram Seus olhos,
E o Santo e Poderoso, espera hoje por meu "sim",
Minha alma canta de gozo, maravilhas fez em mim.

Maravilhas fez em mim, da alma brota meu canto,
O Senhor me amou, mais que aos lírios do campo,
E por Seu Espírito Santo, Ele habita hoje em mim,
Que não pare nunca este canto, maravilhas fez em mim.

E por Seu Espírito Santo, Ele habita hoje em mim,
Que não pare nunca este canto, maravilhas fez em mim.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Sagrados 10 minutos

5 minutos para rever os 'buracos' da vida e 5 para perceber que houve sempre Alguém a estender a mão :)

Graças Te dou por isso...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Treinar o Olhar!

Ontem, durante o jantar, alguém dizia qualquer coisa do género:
"-Dantes, ficava debruçado a olhar para as pessoas a passar e é engraçado como a forma de andar das pessoas pode dizer muito acerca delas, da saúde e até do estado de espírito."

Hoje, foi, realmente, um dia para observar, para estar atenta. E eis que no meio de toda a atenção, me cruzei com a insensibilidade.

No 28, ia um sujeito que, pelo aspecto, aparentava ter uns cinquenta e poucos anos. Durante os vinte minutos do percurso, o homem foi dialogando com uma senhora que estava sentada ao seu lado. Começou com a habitual conversa sobre o tempo, dizia que estava muito frio, a senhora dizia que, mesmo dentro de casa, continuava com frio, quando o homem disse que ia dormir dentro de um saco-cama, tapado com um papelão, numa esquina qualquer. Foi aí que começou a contar, resumidamente, a sua história. Tinha quarenta anos, nasceu em Chelas, fora para o Algarve e regressara há três meses porque se divorciou e não conseguia viver 'às custas' de uma mulher. Tinha filhos e a filha mais velha, segundo ele, mais inteligente que o pai, emigrara para Inglaterra com dezoito, dezanove anos e já tinha filhos. Ele 'trabalha', "recolho do lixo, o aproveitável e vendo". Por detrás daquele homem, que pelo aspecto, não aparentava ser sem abrigo, apercebi-me de um 'farrapo', que no entanto, mantinha no tom de voz a esperança de um futuro melhor, mantinha a esperança de encontrar uma assistente social que alguém lhe indicara mesmo depois de passar uma noite ao relento, muito provavelmente, sem jantar e sem companhia...

E eu ia, desconfortavelmente, fria, naquele fim de tarde, cansada e desorientada pelo trânsito, pelo barulho dos carros que apitavam, incessantemente, do lado de fora do vidro e senti-me, obviamente, insensível. Como posso eu pensar que estou mal? Afinal, estou bem. Ainda agora li que "descansar" devia ser uma palavra abulida do nosso dicionário, porque para descansar temos a eternidade. Afinal, não tenho frio, estou quente... E, pior, muitas vezes não sei reconhecer o valor desse calor, nem dou graças por ele...

Pergunto-me, onde será, com quem será, como será que aquele homem irá passar o Natal?